Mais um dia muito quente de labor. Caminhava pela rua com passos apertados, tinha que tirar cópias de alguns documentos antes de entrar para o trabalho. Parei. Lentamente me aproximei do moço que enfeitava o outro lado do caixa. Cafeteria moderninha, horário de almoço. Havia poucas pessoas. Estava com pressa. Mas o seu sorriso foi tão encantador, que ganhei todo o tempo do mundo. Perguntei se lá tirava cópias, ele me recebeu com um arguido sorriso todo aparelhado. Alto, sua pele combinava com o tom de camisa azul, calça jeans, foi tudo o que pude perceber. Fiquei toda sem jeito, bastava olhar para os lados.
De repente ele começou a falar de si. Em cinco minutos, fiquei sabendo um pouco do seu dia a dia. Ele era meio desastrado, a cópia saiu errada. Foi o ponto chave para mais sorrisos. Ele se justificava, dizendo que havia tido pouco tempo de aprendizado. Dizia que daqui alguns dias não precisaria mais fazer, aquilo. Foi quando interferiu a terceira pessoa. Ela, uma senhora, provavelmente trabalhava ali há algum tempo. Também sorria, e dialogava com o moço. Talvez até disse o nome dele, mas não me dei conta de que aquele momento seria tão importante. Infelizmente não tive atenção para fixar o nome que decorava aquela pessoa. Ele contava sobre seu desastre nas cópias, estava substituindo o dono do local por alguns dias. Comemorava, porque seu tempo ali era breve. Dizia não saber lidar com tanta gente ao mesmo tempo, com tanta falação, esboçou um sorriso. Foi quando a senhora disse: ''Ah, então você não pode casar''.
Ele parou. Meu coração também bateu mais forte. Num tom de deboche, ele esboçou outro sorriso e disse que naquele momento não estava preparado, antes de se casar teria que passar por uma psicóloga. Todos riram. É... ele não era tão perfeito. Olhei para os vários relógios pendurados na parede, enquanto ele cobrava as cópias, os ponteiros indicavam vários horários de outros países. Em algum deles com certeza eu teria mais tempo. Agradeci e guardei na memória aquela quinta-feira ensolarada. Continuava caminhando pela rua, agora, sem me importar com os segundos que indicavam o tempo. Não poderia de maneira alguma me livrar daquela única cópia desajeitada.
Thais Leite, estudante de jornalismo em Londrina

mockup