Aqueles que passam pelo centro apressados não decodificam a Concha Acústica.
Núcleo dentro e fora do mundo, interrogação do centro antigo (ainda historicamente jovem). A Concha Acústica de Londrina talvez seja o lugar mais conhecido e democrático da cidade. Onde já se teve e terá inúmeras apresentações de ficção convivendo com o chão gelado da franqueza.
- Tia, tem 50 centavo? Interroga um menino de uns nove anos, morador em situação de rua, com fome real.
Com pressa e medo disse a mulher:
- Não tenho!
O menino insiste com outro transeunte:
- Tio, num embaça, vê 50 centavo.
O homem nem responde...
A barriga vazia não tem educação e pergunta para outra mulher:
- Tia, to com fome, num pavora, vê 50 centavo
Ela também o ignora.
Orelha ou Concha da cidade foi respeitável berço de ocasiões culturais e políticas de caráter completamente londrinense a dar cobiça aos demais estados brasileiros. Em miséria também.
Aqueles que passam pelo centro, apressados não decodificam a Concha. Londrinense que é londrinense, é londrinense da Concha Acústica.
Como parte do centro ela nina seus desgraçados, com toda a indiferença cabível. Eles encenam a invisibilidade no real que algumas vezes afeta os moradores mais favorecidos.
- Tio, vê 50 centavo?
Diogo Mendes, estudante de jornalismo em Londrina.

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