Eram onze horas da noite, e eu apertava os passos para não perder o ônibus. Estava exausto, e meu corpo só queria um banho e descanso. A extenuante e penosa rotina desgastara mais uma vez meu dia. Rotina chata a qual se assemelhava a um disco riscado. Minha vida era uma música da qual gostava muito, mas que com sua repetição perdera seu valor. Eu estava alienado, minhas pernas já não me obedeciam; estava mais uma vez "no automático".
Cheguei ao ponto de ônibus e entrei no coletivo. Sentado, ouvi pequenos cliques que vinham de alguns acentos depois do meu. Aquilo me instigara muito a ponto de eu me curvar para ver o que estava acontecendo. Foi nessa minha atitude curiosa que pude observar três pessoas com câmeras fotográficas nas mãos. Elas olhavam para janela e admiravelmente sorriam. Engraçado, mesmo não compreendendo o que de fato acontecia, eu estava gostando de ver a beleza daquela cena. Cheguei a pensar em saber do que se tratava, mas decidi não me aproximar e perguntar. Porém, a curiosidade estava aumentando, e minha timidez, aos poucos, fora perdendo força. Não teve jeito, caminhei em direção a elas.
Envergonhado por interromper o ato e fazendo de minha imagem uma presença inesperada – uma aparição estranha e ambulante cuja capacidade desequilibrava a atitude poética do grupo – chamei, sem querer, a atenção deles. Porém, a reação daqueles fotógrafos me surpreendeu mais do que minha atitude que eu achara petulante. Numa imensa simpatia, os três amigos sorriram para mim e perguntaram se podiam me ajudar em algo. Sem jeito, questionei o quê registravam em suas máquinas. Com uma simples resposta, os fotógrafos amadores me surpreenderam: eles estavam caçando estrelas em diferentes ângulos; registravam um céu iluminado que há muito tempo eu já nem dava mais atenção. Eles estavam desvinculados do conturbado e monótono mundo; satisfaziam suas alegrias com a beleza dos pequenos e permanentes pontinhos que sempre iluminaram a escuridão.
A partir desse dia, tornei-me um caçador de estrela também.

Bruno Petri é estudante de Jornalismo na Universidade Estadual de Londrina (UEL), morador de Ibiporã

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