CRÔNICA - Boa noite
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de setembro de 2009
Thiago Damião 
Vai no aconchego o despertar de um novo dia, é madrugada, Rubem Braga que me inspira a fazer crônicas a essa hora, sem cachaça, sem violão, sem poesia, com paixão, que alegria. Olho para baixo muitas vezes, meço o chão e me despeço de outro dia que se foi. É a vida, com a vida não se brinca, é tão séria que me forço nas piadas de tentar ter seriedade e na hora de fazer piadas eu me perco em um túnel sério, não resisti a brincadeira, e rio aqui, melancólico, alegre, irônico do que a vida me prepara para amanhã, e logo cedo estarei de pé. Assim que o sol chegar ao ponto mais alto do céu, e descer mais alguns graus em direção a outra extremidade, e antes dele se pôr eu me levanto.
Cada caminho, cada coisa que me vêm na cabeça essas horas, e só penso em escrever, e escrever, e escrever, para prolongar as palavras em espaços que estavam em branco, que preenchimento, e preencho com o quê? Com o que tem dentro de mim!
É, seguir no rastro da poesia, e dançar conforme o samba, ter na morena alegria, ter na vida um exílio. Queixo-me aos quatro cantos, por vezes aos prantos que entre tantos me escolheram para um round de tristeza e um nocaute de alegria, para o baile da donzela e para a boca de um sambista, que mal se arrisca ao violão.
Minha perna dorme, deve ter vida própria, ultimamente anda mais que eu, corre mais que eu, pula mais que eu, e ainda a safada dorme antes do que eu! Tenho que acordá-la, e levá-la para cama, aí eu quero dormir e ela quer se mexer, sacanagem! Mas no outro dia ela me puxa, menos mal.
Nas delongas das palavras, nos desencontros que me ardem em lavas, é que na véspera do reencontro pessoal o encontro chega, sem se anunciar, e eu sigo agora minhas pernas, de andar pelas tabernas e no cimento, boa noite, é o passo da cabeça para o quarto, em levar as pernas, e o corpo, e a mente, para descansar.
THIAGO DAMIÃO é poeta e estudante de Jornalismo em Maringá


