Ontem eu passei por você e quase todos os dias eu passo em sua frente, você está sempre ali no mesmo lugar, parada estática, orgulhosa de sua formosura sempre com o olhar fixo para cima, não me olha e nem cumprimenta, fica exalando aquele cheiro que é exclusivo só de você.
Às vezes vou a sua direção, tenho vontade de te tocar, te acariciar, te abraçar e também dizer algo, mas sei que você não me ouve, não me vê, me ignora, mas não desisto, faço mesmo assim, mas também faço tudo isso independente de sua reação, e você parada ali estática não liga para mim e nem para as outras pessoas que também passam te observando.
Parece que seu corpo está coberto por um longo vestido de um tecido fino, até parece que foi comprado em uma loja de luxo exclusivamente seu confeccionado sob medida para você até os seus pés, estes não consigo ver, pois você os esconde debaixo de um tapete marrom às vezes outras cores, o vento balança seus braços em todas as direções, seus cabelos enchem boa parte de todo seu corpo e também caem isso é muito natural, forram a barra de seu vestido enfeitando sua sombra, seus olhos brilham dias e noites e lança um perfume magnífico e nas manhãs brotam gotas de água parecendo ser suas lágrimas - acredito eu que sejam de alegria.
Todos os dias, ficamos observando muito a beleza das árvores que avistamos pelos caminhos, elas parecem um ser humano bem vestido com um perfume exclusivo somente delas, é muito bom sentir a paz que elas nos transmitem.

Antonio José Rodrigues é aposentado em Londrina

Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].

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