Me espanto em como esse céu possa estar tão azul, com pequenas nuvens branquinhas, mas... não são algodões? Guardo os 10 anos no bolso. Olho para meu colo e lá está a boneca de pano com seu vestido verde costurado pela vovó. O velho macacão está sujo de brincar na grama. Tenho 5 anos.
Não sei o que é 'colegial', muito menos 'vestibular', não corro para uma tal de 'reunião', porém apenas no 'pega-pega', e passado para mim é só ontem e antes de ontem. Tenho certeza de que não vou chegar tarde na escola, porque mamãe vai me levar de mãos dadas. Inocente, não sofro de saudade.
Todos queriam me corrigir; 'não é assim que se fala, menina!', a professora era tia, a tia que pedia para mim [sic] desenhar uma casa bem bonita. Eu colocava, então, algodões do lado do Sol com olhos e uma boca feliz e as gentes grandes não se cansavam em dizer que eram nuvens.
Algodão?! Não, é nuvem! Para mim e para tantas outras crianças, ainda são e sempre serão algodões colados no céu.

Susanah Yoshimi Watanabe Romero é estudante do Ensino Médio em Londrina

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