CRÔNICA - A matemática da vida
Nunca imaginei que fosse relacionar a matemática em alguma reflexão sobre a vida, já que dela sou inimiga desde que nos conhecemos, porém cá estou humildemente me redimindo da antipatia estabelecida, e gostaria inclusive de declarar: "muito obrigada por me ajudar a compreender que a soma de - com + é MAIS!".
É desta forma que iniciei esta reflexão, logo após ter conversado com uma amiga e ser estimulada por ela a escrever algo sobre a mulher e o amadurecimento.
Me sinto um pouco pretensiosa ao escrever algo sobre isso. Não estou no auge dos meus 80 anos e nem me considero uma grande mulher influenciadora de comportamentos e reflexões, no entanto, um pouco de maturidade e liberdade me permite escrever o que sinto e muito obrigada a você que parou para ler até aqui.
Perto dos 30 anos, o espelho nos mostra algumas marcas no rosto que nunca imaginaríamos ter aos 8 anos, quando nossa meta de vida era brincar e torcer para que a nossa mãe não nos chamássemos na hora mais legal da brincadeira (aliás, incrível como elas sempre acertam). Detalhando um pouco mais podemos ver alguns fios de cabelos brancos ou alguma mancha na pele que não estava ali aos 15 anos, quando nossa meta de vida era encontrar o príncipe encantado (aliás, só nos contos de fadas que eles chegam nesta idade). Paramos mais um pouco e percebemos que nosso sorriso não é tão escrachado como era aos 18 anos, mas, menos debochado, ele se torna mais verdadeiro, já que não temos mais a insanidade de querer agradar a todos para não estragar a balada.
Nestas e em outras reconstruções percebemos que perdemos, mas a maturidade que já começa a tomar forma nos faz mais leves, sem medo de ter que sair da brincadeira na hora mais legal, de entender que o príncipe aparece quando você também está disposta a ser princesa e que o sorriso não precisa ser escrachado, mas contemplado.
É a contemplação da nossa história que nos deixa inteiros para viver e saborear o nosso crescimento; é sabendo onde caímos que olhamos com cautela; é aceitando quando erramos que aprendemos a virtude de nos desculpar; é conhecendo verdadeiramente a essência das pessoas que aprendemos com quem podemos nos abrir.
São todos esses menos que, com maturidade e entendimento, podemos somar a nossa vida e, principalmente, não temer a chegada de nenhuma fase, simplesmente compreender que a nossa calculadora está sempre pronta para reiniciar a conta, não há nenhum saldo negativo que não possa se transformar numa poupança bem aplicada e permitir que tenhamos uma vida corrente e contente.
Rafaela Bonezzi Junqueira Scicchitano - secretária executiva, de Londrina (PR)
Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].





