Era 2007, dia de nossa senhora aparecida, o telefone tocou. Nanci do outro lado da linha, tinha a voz triste, 10:30 da noite a noticia. ‘‘O Nivaldo Morreu’’, não havia muito que dizer.
  Nivaldo era operador de som lá da rádio, calmo, brincalhão e meio ultrapassado (na cabeça dele). ‘‘Eu nunca vou aprender a lidar com computador’’, frase dita por ele com a chegada da tecnologia na rádio. Um ‘boa praça’. Morto em um acidente em que o carro capotou, ele voltava de uma festa em que fazia um extra como DJ, morreu na hora.
  Somos muitos ligados lá na emissora, é difícil não lembrar dele no dia 12 de outubro. Revendo as fotos bate uma saudade daquele velho.
  2011, sábado, 23:30. Telefone toca. Era o Fernando. Telefone fora de hora boa coisa não há de ser. ‘‘A mamãe da Nanci morreu’’, era véspera do dia das mães, o enterro no dia das mães, choro e tristeza no dia das mães.
  É muito ruim ver a cidade festejando e amigos sofrendo. Morrer em dia de comemoração devia ser proibido. O sofrimento parece que é maior. A tristeza parece que não passa.
  No meu aniversário de 28 anos meu primo morreu, passei o aniversário velando aquele companheiro de piadas. Um câncer o matou em um mês.
  Nanci voltou a trabalhar depois de três dias, choramos com ela.
  Da minha sala olho o silêncio gritante que ela transmite, parece em contato intermitente com a mãe que, agora olha do céu. Ela voltou a trabalhar, mas não voltou de verdade. Falta a alegria, falta o sorriso. Mas ela vai voltar.
  Viver cada momento da nossa vida como se fosse o último, essa é a lição, porque o tempo passa e a única forma de manter vivas as pessoas que amamos é nunca esquecê-las, nunca deixar de amá-las.

Tony Lima, funcionário da Rádio Educadora de Jacarezinho e estudante de jornalismo em Santo Antônio da Platina

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