CRÔNICA - A indesejada das gentes
É horrível quando ela chega, principalmente quando vem sem avisar. Sem anestesia, ela te pega de surpresa e te destrói. No começo é difícil acreditar que ela está ali. Ela é tão inconveniente! Nunca deveria aparecer. Mas ela também é inevitável e mesmo sem ser convidada, ela vem.
Quase todo mundo já desejou-a um dia, mas no fundo ninguém a quer.
Dói muito na primeira vez que ela te faz uma visita. Na segunda, dói mais ainda. E se você se deparou com ela mais de duas vezes, considere-se uma pessoa realmente infeliz.
É tão péssimo quando ela se interessa por você, quanto quando seu interesse é por alguém próximo e querido por ti. Não há lado bom nessa história.
É necessário ter ou conseguir força quando a morte, incertamente tão certa, o fim da vida, do sofrimento, da alegria, o fim de tudo, surge na nossa frente, pois ela sem pedir licença ela invade o nosso mundo, trazendo consigo uma solidão insuportávelmente dolorosa.
Solidão. É isso que a morte é. Solidão para quem vai, solidão pior para quem fica. É um silêncio absoluto, é o sono que não vem, olhos que não se fecham, lágrimas que caem.
É ausência: de corpos, de calor, de barulho, de companhia...
São flores. Principalmente coroa de flores. E velas.
É o telefone que toca no meio da noite, é uma procissão na rua, é tristeza, é terra, é lembrança. É a vontade de Deus, é final, separação - e separação nunca é bom. É mistério e vazio. O mistério sem solução, o vazio que a pessoa deixou de preencher.
A morte é dó, é trevas e uma passagem desse mundo para outro. É descanso?
Ela é tanta coisa que chega a ser indefinível. Morte são frases repetidas e dúvidas.
É uma dor pontiaguda incurável no peito, que nunca cessa.
Mas o que fazer quando se encontrar com ela? Será possível encará-la? Só quem já conviveu com ela pode responder. Talvez nem eles consigam.
Larissa da Silveira é estudante do Colégio Estadual Francisco Alves de Almeida, em Conselheiro Mairinck





