CRÔNICA - A fama do perigoso
Na pequena cidade do interior, um lugar tranquilo até à chegada de Malaquías, um sujeito que chegou de mansinho, como quem não quer nada, mas querendo tudo. A fama de perigoso chegou até mesmo antes dele:- Malaquías, o carniceiro vai se mudar para cá, veio fugido, também dizem que já mandou muita gente para baixo da terra. Para completar mais a fama dele acrescentou-se um detalhe:- "Ele vem com um bando de gente perigosa, é um veneno este tal de Malaquías". Era o que faltava para que a pequena cidade ficasse em estado de pânico. Assim como foi descrito o bando de Malaquías, o carniceiro chegou e como havia falado tudo era realmente o que se esperava, um homem pequeno, com a cara de poucos amigos, com seu bando, porém faltou um detalhe, Malaquías, o carniceiro tinha uma cicatriz no lado esquerdo do rosto. Outra vez alguém, sabe-se quem lá quem, descobriu via boato que aquilo foi um trato que ele havia feito com o lado ruim para que tivesse sete vidas, inclusive ficando invisível diante dos inimigos. Como se chegou a esta revelação era outro mistério, todavia ninguém contestou, pois quem teria a coragem de perguntar isto a ele? Todos os dias o bando logo cedinho saia com as armas enroladas em sacos, montados em seus cavalos, só regressavam à noitinha. Quando passava o bando de Malaquías, as pessoas, disfarçadamente, se benziam, pois também havia o boato quase verdadeiro que ele conseguia ler os pensamentos das pessoas. Passaram se muitos anos até que Malaquías, o carniceiro morreu de morte natural. Poucas pessoas foram ao velório porque outra vez havia o boato que seus inimigos viriam para acabar de matá-lo. No outro dia, durante o velório uma velha surda perguntou para um de seus capangas: - O homem morreu de que? O capanga respondeu: - Ele morreu morrendo, não precisou de motivo nenhum. A velha surda não ouviu nada, mas as pessoas ficaram sabendo que Malaquías, o carniceiro na verdade era um perfurador de poços, havia mandado muitas pessoas para baixo da terra para perfurar poços. A fama de carniceiro é que havia o boato quase verdadeiro que era porque ele não gostava de tomar banho.
Moral da estória: "A fama de valente fez do covarde um homem perigoso."
Manoel José Rodrigues - Assistente administrativo em Alvorada do Sul (PR)
Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores.
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