CRÔNICA - A chave do nosso futuro
Puxe pela memória e você verá o quanto foram importantes todos os professores que passaram pela sua vida.
Minha primeira professora, na Escola Municipal Carlos Kraemer, foi a "tia" Edelzira. No primeiro dia de aula, um "japonesinho", o Hélio, não queria ficar na sala de jeito nenhum. Com sua sensibilidade, a professora permitiu que uma irmã dele, mais velha, ficasse também.
No segundo dia, o Hélio não queria ficar de novo. Edelzira dispensou a irmã mais velha do seu aluninho mais rebelde e colocou a própria mesa bloqueando a porta, contendo as tentativas de fuga do pequeno estudante. Com ternura, mostrou para ele e para nós todos que a sala de aula era um ambiente muito interessante e até divertido. Com ela, aprendemos a escrever as primeiras palavras e a somar os primeiros números.
Depois veio a "tia" Edna. Um dia, no pátio da escola, ela pegou um balde com água e despejou o líquido no chão. Enquanto a água corria, a professora explicava como são os rios, que vão sempre do ponto mais alto para o mais baixo. Eu nunca mais esqueci.
No Colégio Estadual João Sampaio, Sebastião, que ensinava Matemática, nos fazia confeccionar figuras geométricas com cartolinas, para que aprendêssemos a importância de formas e números.
Clotildes, professora de História, falava com tanta empolgação de temas como feudalismo que copiávamos sem reclamar as várias lousas que ela preenchia com giz e conhecimento.
No colegial, os mestres foram muitos. No terceiro ano, no Colégio de Aplicação da UEL, a professora Keiko mostrava que Educação Física não era apenas jogar futebol. Dizia que devíamos nos exercitar sempre para ter boa saúde. E nos fazia alongar os músculos.
Na universidade, os professores passaram a ter também sobrenomes. No curso de Jornalismo da Unopar, entre tantos outros, Karen Debértolis, Patrícia Zanin, Jersey Gogel, Reinaldo Zanardi, me ensinaram a importância de ler, de tentar escrever bem e de trabalhar muito, em uma profissão que exige empenho e valores não palpáveis, como ética, por exemplo.
Hoje, por acaso do destino, dou aulas para alunos de Jornalismo. Fico encabulado quando me chamam de professor. Não me acho digno do título. Continuo me apresentando como jornalista.
No final da década de 1980, cantávamos, disciplinadamente, o Hino Nacional todas as segundas-feiras. E ouvíamos falar que o Brasil era o País do futuro.
Nosso País só terá um futuro próspero quando a Educação se tornar verdadeiramente prioridade. Quando governos não comemorarem pífios índices de reajustes para professores. Quando professores não apanharem de policiais ao reivindicarem aumentos salariais, como recentemente no Rio de Janeiro e, não faz tanto tempo assim, no Paraná.
Aos meus professores e a todos os professores brasileiros, o meu respeito e a minha admiração.
Wilhan Santin é jornalista em Londrina
Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].





