Hoje revirando meus guardados dei de cara com o presente, agora passado. Nunca fui de acreditar muito na palavra eterna e muito menos nos conceitos míticos de eternidade. Mas aquela carta me fez lembrar que tempo é o conceito mais abstrato que podemos ter.
''Eduardo (sem data, para que seja eterno)... assim começa aquela carta linda, carregada de emoção, paixão, entrega. Percebi hoje, quando o sol da manhã veio aquecer meu rosto pálido e carente, que nossos conceitos são desmoronados diante da realidade mais lírica e mais recorrente que acontece: o amor. Poderia falar de outros temas, mas hoje escolhi este. No momento em que se entende a intensidade deste sentimento, percebemos o quanto somos pequenos e mesquinhos diante de nós mesmos.
Viver (e numa relação de amor eterno, o conceito de vida é imortalidade) um amor é a melhor sensação que podemos ter. Quando Sarte dizia que o amor é se ver no outro, estava coberto de razão. No entanto, quando nos vemos no outro, vemos nossa essência na plenitude.
As enchentes que assolaram vários estados são poucas para mostrar o turbilhão de coisas que nos assolam quando amamos. E quem ama, dá vexame. Sem limites, faz a (o) amada (o) andar sobre pétalas de rosas e pactuar com a eternidade. A sociedade porém, com seus pré-conceitos e sua coerção, sempre vence.
Aí, minha borboleta guerreira, liguei o MP-4 e ouvi o que precisava ouvir... ''Eu hoje acordei tão só, mais só do que eu merecia, eu acho que será pra sempre, mas sempre não é todo dia''. Feliz mês dos namorados, meu novo amor eterno.
Eduardo Baccarin é professor, escritor e produtor cultural em Londrina

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