Crítico traça panorama da dança no País
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quinta-feira, 26 de agosto de 2004
Jackeline Seglin<br> Reportagem Local 
Convidado pela segunda vez a participar do Festival de Dança de Londrina, o pesquisador e crítico de dança Roberto Pereira costuma circular pelos mais variados eventos do gênero no País, como debatedor, jurado ou consultor. Em Londrina, ele integra o júri da mostra competitiva e participa de duas mesas-redondas sobre Ensino da Dança (realizada ontem) e Modelos de Festivais de Dança (agendada para amanhã, às 16 horas, na Funcart). Em entrevista à Folha2, ele traça um panorama dos festivais brasileiros.
Formado em Letras pela PUC-SP, ele é autor de nove livros sobre dança, Mestre em Filosofia pela Universidade de Viena, na Áustria e Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP. Atualmente é crítico de dança do Jornal do Brasil e coordenador da Faculdade de Dança do Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro.
O senhor poderia traçar um panorama dos festivais de dança no Brasil?
Vou tomar como exemplos dois eventos distintos: o Festival de Joinville, o maior do gênero, que agora assume ser um festival estudantil de dança, com concurso e caráter formativo; e o Panorama RioArte de Dança, uma mostra de dança com companhias profissionais e também de caráter formativo. Dos festivais competitivos para as mostras profissionais há muitas variantes. Existe hoje no Brasil uma praga dos festivais competitivos, com grupos que vão de um evento para o outro, criando vícios. Uma das saídas para melhorar isso seria conseguir instrumentalizar alunos e profissionais. Dar como prêmio de primeiro lugar, por exemplo, um curso, uma pauta no teatro, verba para montar um espetáculo. São pequenas saídas para não ficar refém de festivais e poder alcançar a profissionalização.
E os outros modelos de festivais no País?
Temos vários, como o Festival Internacional de Dança de Belo Horizonte, o Dança Brasil (no Rio de Janeiro e Brasília), o Atelier de Coreografia da Bahia (um novo formato, no qual coreógrafos com projetos aprovados podem escolher os bailarinos para montar uma coreografia na capital baiana), tem o Projeto Dança em Trânsito no Rio (que leva atividades para vários pontos da cidade). Estão criando outras possibilidades e isso é importante. Tem ainda o Festival de Recife, a Bienal de Fortaleza e o Festival de Belém. Mas há também festivais sem pré-seleção, que programam horários absurdos e comprometem a atuação dos bailarinos por questão de economia. Isso vira um mercado negro de competitivos.
Como o senhor avalia a experiência de Londrina?
Pelos festivais de teatro e de música que a cidade abriga, acho que já cabe a maturidade de Londrina ter uma mostra profissional de dança. A cidade tem representatividade nessa área no Brasil. Que a competição seja um terço do festival, mas não o foco. Que cada vez mais se invista no competitivo como uma etapa a mais na vida do aluno. Assim como as atividades formativas, com gente que quer pensar, refletir, entender.
Este é seu segundo ano no festival. Qual sua expectativa?
Estou mais interessado em ver o que permanece e o que se transforma do ano passado pra cá. O maior desafio é fazer a segunda vez. Isso está feito. Quero ver em termos de construção, de desenvolvimento, o que aconteceu para melhorar da primeira para a segunda edição do festival. Tomara que tenha boas surpresas.
Como anda a dança no Brasil?
Vai bem, embora não tenha uma política pública nacional para essa área. A gente vive hoje numa época que corre atrás de informação, estuda, consegue fazer bons trabalhos. O mundo da dança no Brasil é fascinante. Não deixa nada a desejar em relação aos outros países em termos de bailarinos, coreógrafos, pesquisa.


