São Paulo, 20 (AE) - Classicismo, romantismo, barroco - estilos artísticos, expressões de épocas, significam exatamente o quê? Nos dicionários, limitam-se as definições aos períodos em que tais estilos surgiram. Surge agora um guia, didático, inteligente, que ajuda a entender cada movimento - especificamente na área musical. Trata-se de "Sete Noites com os Clássicos", de Luiz Paulo Horta (Zahar, 268 páginas, R$ 19 50). O autor é um dos mais importantes críticos de música erudita da imprensa brasileira e está lançando, ao mesmo tempo, um coletânea de artigos sobre o assunto, pela mesma editora, intitulada "A Música das Esferas" (128 páginas, R$ 18,00).
"Sete Noites com os Clássicos" tem como subtítulo sua bem-sucedida pretensão didática: "Para entender os estilos musicais, da Renascença ao Modernismo". São sete noites - o autor prefere que o livro seja lido em sete semanas, detendo-se o leitor não só na leitura mas na audição, especificada, de cada estilo - porque são sete movimentos, períodos: renascença, barroco, classicismo, Beethoven - sim, o gênio alemão é um movimento, em si - romantismo, impressionismo e modernismo. "Os estilos musicais são como seres vivos: em determinado momento começam a existir, a partir de algumas sementes; crescem, atingem o apogeu e depois são substituídos por outros, quando sua seiva começa a enfraquecer", ensina Luiz Paulo Horta.
Para cada período, ele escolheu um personagem exemplar. Ressalva, desde a abertura, que tal personagem pode não ser "o maior gênero" do movimento: "Mas será sempre alguém que trouxe para esse estilo uma contribuição essencial", escreve. Assim, o Renascimento tem como símbolo, para efeito explicativo, o compositor italiano Palestrina; para o barroco, Vivaldi; para o classicismo, Haydn; para o romantismo, Schumann; para o impressionismo, Debusy; para o modernismo, Stravinski.
Beethoven é classificado à parte. "Não há nenhum capítulo tão poderoso quanto o que se resume em Beethoven", escreve Luiz Paulo Horta. "Ele fez a passagem entre duas grandes épocas: o classicismo e o romantismo", interpreta. Cita Proust: "Os últimos quartetos de Beethoven preparam o público para os últimos quartetos de Beethoven". Cada estilo é explicado cuidadosamente. O autor apresenta uma cronologia, cita os maiores representantes, indica o que ouvir e com quem ouvir. Não há mais porque não entender a música clássica.

mockup