Críticas de arte do Paraná concorrem a prêmio nacional
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2004
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Duas paranaenses, ambas nascidas em Ponta Grossa, estão entre os 32 nomes indicados para o Prêmio ABCA 2003, concedido anualmente pela Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA). Considerado o ''Oscar'' na sua área, a premiação é feita em dez categorias, destinada a profissionais, personalidades e instituições que contribuíram para a cultura nacional durante o ano passado. Na categoria Crítico Trajetória, a pesquisadora, crítica de arte e ex-professora universitária Adalice Araújo concorre ao prêmio Mário de Andrade. A outra paranaense é Nilza Knechtel Procopiak, crítica de arte, curadora, programadora cultural e artista plástica, que concorre ao prêmio Gonzaga
Duque, na categoria Crítico Filiado.
A lista com os 32 indicados, divulgada pela ABCA na segunda-feira, é resultado de indicações enviadas pelos sócios, seguida de discusão e aprovação em assembléia geral da entidade. A lista com os dez vencedores só será divulgada no final de março, e a cerimônia de premiação acontece dia 12 de maio, no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo. Os dez vencedores receberão um troféu idealizado pelo escultor Nicolas Vlavianos.
O Prêmio ABCA foi criado em 1978, com patrocínio da Funarte. Entre seus vencedores, estão artistas, personalidades e instituições de expressão como Siron Franco, Milu Villela, Cícero Dias, Marcos Mendonça, Ferreira Gullar, Jacob Klintowitz, Ruy Mesquita, Centro Cultural Banco do Brasil (RJ), Instituto Moreira Salles, Sesc/SP entre outros.
Para a edição de 2003 foram acrescidas duas novas categorias, de ''Difusão na Mídia'' e ''Exposição''. As oito já existentes são: Artista Contemporâneo, Personalidade, Artista/Trajetória, Curador, Instituição, Crítico Filiado, Crítico/Trajetória e Pesquisador. Cada categoria possui o nome de um crítico de reconhecida contribuição para a cultura e as artes plásticas brasileiras.
''Eu fiquei muito feliz, mas pode-se dizer que eu sou o azarão nesta categoria'', diz Nilza. Isso porque ela disputa a premiação com os críticos César Romero, da Bahia, e Enock Sacramento, de São Paulo. ''Mesmo que os críticos associados do Paraná votem, com unanimidade no meu nome, o número de críticos dos outros dois estados que vão votar é bem maior'', explica. Só a indicação, para ela, já valeu a pena. ''Foi como se fosse indicada a um Oscar. É uma espécie de reconhecimento já que estou há tanto tempo nesta área'', comemora.
Nilza atua na área desde 1966, como crítica de arte, curadora e programadora cultural. Foi curadora do Museu de Arte Contemporânea (MAC) do Paraná, diretora cultural da Associação Profissional dos Artistas Plásticos do Paraná e do Museu da Gravura da Cidade de Curitiba. Como artista plástica participou de 56 exposições e possui mais de 500 textos publicados. Atualmente ela trabalha na Fundação Cultural de Curitiba (FCC) no setor de acervo das obras de arte.
Adalice Araújo, que concorre pela segunda vez na categoria Crítico-Trajetória, também acredita que profissionais de grandes polos, como Rio de Janeiro e São Paulo, têm maior chance de serem premiados. ''Meus concorrentes são fortes candidatos, são monstros sagrados na área'', diz, referindo-se a Raul Córdula, crítico de arte contemporânea, que vive e trabalha em Olinda, em Pernambuco, e Israel Pedrosa, pintor, professor e pesquisador, do Rio de Janeiro.
''Não é impossível, mas minhas chances diminuem'', afirma. Adalice escreveu durante 30 anos, como colaboradora para jornais paranaenses, primeiro no extinto Diário do Paraná e depois na Gazeta do Povo. Foi diretora do MAC do Paraná, onde introduziu serviços de curadoria, reserva técnica, núcleo de Arte-Educação e realizou mostras internacionais como a Arte atual de Berlim.


