Paris - O filme ''O Jardineiro Fiel'', do cineasta brasileiro Fernando Meirelles, que estreou ontem na França, recebeu os elogios da crítica francesa e do escritor britânico John Le Carré, autor do livro que inspirou o filme: ''Esta é a primeira vez que um cineasta faz de um dos meus livros um grande filme'', ele afirmou.
Adaptação do romance ''The Constant Gardener'', de Le Carré, o filme, uma produção britânica interpretada por Ralph Fiennes e Rachel Weisz, é ao mesmo tempo um thriller, uma história de amor e uma denúncia da utilização da população africana para experimentar medicamentos por parte de grandes empresas farmacêuticas.
Em declarações ao jornal Le Monde, o romancista disse que, ''sem querer ser descortês com as adaptações dos meus livros, esta é sem dúvida a primeira vez que um cineasta faz um grande filme, ainda que adaptado de um de meus livros, mas um filme seu, no qual ele disse o que queria dizer''.
''Para mim isto é uma experiência totalmente diferente'', acrescentou Le Carré, avaliando que os filmes anteriores ''foram respeitosos demais com meus livros, não imaginativos o bastante'', enquanto ''Fernando (Meirelles) acrescentou, com acerto, cenas que não estavam em meu livro''.
''O fez com todo o coração e isto funcionou muito bem'', disse Le Carré, afirmando ter assistido antes e gostado muito de ''Cidade de Deus'', filme anterior do cineasta brasileiro.
O crítico do jornal, Thomas Sotinel, também elogiou o trabalho de Meirelles, afirmando que o diretor evitou cair na tentação do clichê que poderia comprometer a trama - o rato que vira um leão, o humilde diplomata que se torna James Bond - porque ele ''teve a inteligência'' de deixar seu ator, Ralph Fiennes, ''um intérprete ideal'', construir o personagem.
''Em um momento, Meirelles se deixa levar pelo entusiasmo e sua montagem se acelera sem muita razão, mas, no essencial, sua forma barroca e sua técnica de filmagem se colocam a serviço dos matizes dos intérpretes e da forma de uma demonstração política ponderada''.
O jornal Le Figaro destacou que Meirelles ''simplificou a trama e apagou o aspecto 'ultrabritish' do romance para torná-lo mais internacional''.
''Filme apaixonante'', decretou o jornal Le Parisien, segundo o qual ''a África é filmada com realismo e poesia em 'O Jardineiro Fiel''', filme ''engajado que não cai nunca no maniqueísmo''.
O jornal La Croix qualificou ''O Jardineiro Fiel'' de ''policial alterglobalização'' e de ''salvadora contraprogramação que serve de antídoto para as bobagens que inundam as telas no período de festas''. Meirelles, segundo o diário, um ''especialista em filmes de impacto'', se ''apodera'' do livro de Le Carré. ''Como o romance, o filme é tenso à raiz da urgência de uma missão a cumprir e de um escândalo a denunciar'', acrescentou o jornal.
''Quadro enlouquecedor da situação africana. Filmado com a câmera no ombro e um sentimento de urgência febril, 'O Jardineiro Fiel' também é um thriller ao estilo de James Bond cuja ação salta de um continente para outro, e uma love-story enfeitiçante. Cada plano do filme leva a marca brilhante do diretor brasileiro'', avaliou a revista especializada em cinema Première.
O jornal France Soir destacou que ''com este filme, Meirelles queria tirar de si o rótulo de 'cineasta latino-americano''. ''Missão cumprida: 'O Jardineiro Fiel' é um candidato aos próximos Globos de Ouro. E não passará despercebido'', concluiu.

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