O novo filme de Steven Spielberg, ‘‘Saving Private Ryan’’ (O Resgate do Soldado Ryan), que entrou em cartaz nos EUA na sexta-feira, pode explicar, segundo os críticos americanos, o ‘‘piloto automático’’ que o diretor parece ter utilizado para fazer ‘‘O Mundo Perdido’’ e ‘‘Amistad’’. Ele estava guardando as suas energias para este filme. O mínimo que a crítica disse de ‘‘Saving Private Ryan’’ foi ‘‘o melhor filme de guerra’’ ou ‘‘o melhor filme do ano’’. Mas também, segundo a ‘‘Entertainment Weekly’’, ‘‘uma obra-prima de terror, caos, sangue e coragem’’.
Spielberg queria um filme que mostrasse a realidade da Segunda Guerra e o inferno existencial em que viviam os seus soldados. Para atingir a realidade que buscava, o diretor literalmente mandou seus atores para o campo de batalha. Contratou o capitão Dale Dye, da Marinha dos EUA, para treiná-los.
A primeira providência de Dye para fazer com que virassem soldados e esquecessem que eram atores foi abandonar seus nomes e chamá-los de ‘‘cocô’’. Tom Hanks, graças à respeitabilidade por seus dois Oscar, tinha o privilégio de ser o ‘‘cocô nº 1’’.
Três dias de treinamento foram suficientes para que os atores pedissem água. Em uma votação entre os oito atores no ‘‘campo de batalha’’, apenas um decidiu ficar, dizendo ser importante para o filme - Tom Hanks, o que foi suficiente para convencer os demais.
O resultado parece ter dado certo. Nos oito dias de treinamento, eles aprenderam a morrer, a sofrer com o ferimento de bala e a sentir, ao ver o seu companheiro morrer na guerra, primeiro um alívio, por não terem sido eles, e depois muita vergonha por ter sentido alívio. Spielberg conseguiu dar realidade a seu filme, e as primeiras cenas são talvez umas das mais sangrentas do cinema. São 25 minutos que mostram a invasão da Normandia, no dia D, vista pelo capitão John Miller (Hanks), com soldados caindo dentro no mar e sendo mortos por tiros na água ou explodindo em pedaços.
Após esta cena e a tomada da praia de Omaha, em 6 de junho de 1944, começa a verdadeira trama do filme. Os militares descobrem que dois irmãos, Sean e Peter Ryan, estão entre os mortos da invasão. Um terceiro irmão já tinha morrido no Pacífico uma semana antes, e o quarto era dado como perdido na França.
Para não dar a notícia à mãe de que todos os seus filhos tinham morrido na guerra, Miller e seus soldados recebem ordens de procurar Ryan (Matt Damon), o irmão perdido, e salvá-lo. Quando finalmente encontram Ryan, ele se recusa a deixar seu pelotão, fazendo com que a equipe de Miller seja obrigada a se juntar a ele e criando uma confusão entre os soldados, que começam a se perguntar por que têm de arriscar suas próprias vidas para salvar a de apenas um homem.

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