Autores de biografias sobre personalidades marcantes da história de Londrina são unânimes em defender o Projeto de Lei e consideram o momento oportuno para debater o assunto, visto que, por conta dos embates judiciais, o mercado editorial esteve receoso em investir nesse gênero literário. ''Sou favorável à proposta se ela alterar e facilitar a publicação de biografias. Proibir a circulação de obras biográficas é um absurdo. Na dúvida entre o direito à privacidade e à liberdade de expressão e acesso à informação, deve-se favorecer a última'', pondera o escritor e jornalista Paulo Briguet, autor de ''Amanhã Escreverei à Joaninha'', sobre a vida da pioneira Jolinda Fenelon de Souza Gouvêa.
Para o escritor e jornalista Domingos Pellegrini, autor das biografias ''O Tempo de Seo Celso'', sobre o pioneiro, empresário e pecuarista Celso Garcia Cid, e ''A Arte de Bem Viver'' a respeito do pioneiro Florindo Fabian, acima da privacidade está o direito coletivo de usufruir a informação. ''O ídolo deve assumir o ônus e o bônus de ser uma figura pública''. O escritor e jornalista José Antonio Pedriali, autor dos livros ''Wilson Moreira e a Política da Eficiência'', ''O Poeta da Rebeldia'', sobre o vida do avô Mario Romagnolli, e ''Dalton Paranaguá e a construção do futuro'' (ambos inéditos), acrescenta que, a partir do momento em que uma pessoa torna-se pública não pode mais ocultar fatos ocorridos antes e durante o momento de glória.
Em contraposição à atitude de biografados que entram na Justiça contra autores e editoras por se sentirem prejudicados, Pellegrini ressalta a atitude do escritor Paulo Coelho, que por acordo firmado com o escritor e jornalista Fernando Morais não avaliou o trabalho de apuração e tampouco o resultado final da biografia ''O Mago''. ''Paulo Coelho não é um grande escritor pela sua estética, mas pela sua ética'', define. Pellegrini ressalta que o escritor acreditou na ética do jornalista para que pudesse conduzir a pesquisa sem interferências. Outro caso de biografia não-autorizada que não gerou processos judiciais foi o da cantora Maysa - ''Maysa - Só numa Multidão de Amores'', de Lira Neto. O escritor recebeu ajuda da família, especialmente do filho, o diretor de TV Jayme Monjardim, para escrever todos os podres e porres da artista.
A despeito de defenderam o Projeto de Lei, os autores ponderam que é necessário haver bom senso na divulgação de informações íntimas. ''Para tudo há um limite. Salvo se o biografado autorizar, ninguém tem o direito de ''fuçar'' a intimidade de ninguém'', defende Pellegrini. Segundo a escritora e jornalista Teresa Godoy, autora das biografias ''O Homem dos Três Poderes'', sobre o político Octávio Cesário Pereira Júnior, ''Olho no Olho'', a respeito da trajetória do educador Water Okano, ''Ana Marta, 20 anos'', relatando a trajetória profissional da jornalista e colunista social Ana Marta Garcia e ''A Versão e o Fato'', sobre o deputado federal Philadelpho Garcia, o mercado editorial tem lançado obras biográficas fundamentadas em criterioso trabalho de apuração das informações. ''São livros-reportagens de grande utilidade para a historiografia. Na verdade, vivemos uma época paradoxal em que há um escancaramento da privacidade, mas, aos mesmo tempo, as pessoas não querem se comprometer com o que fazem; algo como ''esqueçam o que falei'', reflete.(C.V.)

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