O guri da turma de artistas da década de 60 completou 46 anos nesta semana. O escritor Cristovão Tezza, autor de 12 livros publicados e professor da Universidade Federal do Paraná, afirma com tranquilidade que ‘‘está curtindo vagarosamente cada fase da sua vida’’.
Ele não tinha mais do que 14 anos quando participava dos festivais de poesia do DCE da universidade.
Nesta época também começou a trabalhar numa comunidade de teatro, onde participou do primeiro espetáculo de Denise Stoklos, ‘‘A Semana’’, encenado no antigo Teatro de Bolso da Praça Rui Barbosa.
‘‘Lembro de uma montagem de Ari Pararraios, em que o grupo A Chave subiu no palco e trabalhou em cena’’, contou Cristovão. ‘‘Eu fazia a iluminação, mas como era menor de idade, às vezes tinha que fugir para a bilheteria.’’
A convivência direta com os ativistas políticos da época marcaram a formação intelectual e artística do escritor. ‘‘Alguns traços daquela geração ficaram, hoje eles surgem como um pano de fundo nas minhas obras’’. Na opinião de Cristovão, são as pessoas que estão ligadas à arte que dão forma a uma geração.
Foi no final da década de 60 que Cristovão começou sua produção literária. ‘‘Escrevi três romances entre 1968 e 72, mas joguei todos fora’’, lembra.
Cristovão percebe um contraste enorme entre a sua geração e a atual, da qual os seus alunos fazem parte. ‘‘Não sei qual é melhor ou pior, mas são muito diferentes’’, afirmou. Ele acha que os jovens estão mais pragmáticos e menos angustiados do que no seu tempo. ‘‘Enquanto nós perguntaríamos como é ser um escritor, hoje eles me perguntam quanto ganha um escritor’’, exemplificou. (S.M.)

mockup