Crise? Que crise?
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terça-feira, 29 de março de 2005
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
''Acho estão instituindo uma falsa crise na universidade. Com as matérias que estão saindo nos meios de comunicação parece que aconteceu um terromoto quando nada disso aconteceu''. Assim a reitora da Universidade Estadual de Londrina, Lygia Puppato, analisou o impasse que se estabeleceu com a extinção da rádio da instituição como órgão de apoio e sua direta subordinação à Coordenadora de Comunicação Social. A decisão foi tomada no dia 18 de fevereiro deste ano pelo Conselho Universitário da UEL.
Em entrevista coletiva convocada ontem à tarde, a reitora frisou que durante o encontro, os conselheiros se ativeram unicamente à aprovação da COM e nada mais. Ou seja, a discussão de uma política de comunicação, foco da polêmica, sequer foi mencionada já que, como explica a reitora, ainda há um grupo de trabalho formado com a incumbência de criar uma pré-proposta de elaboração de um regimento e consequente aprovação ou não pelo Conselho Universitário. ''Será uma política de comunicação da Universidade Estadual de Londrina e não da Lygia'', enfatizou a reitora. ''Com isso estarei diminuindo meu poder de intervenção, se é assim que se pensa'', complementou.
Lygia afastou também a possibilidade de que, uma vez atrelada à COM e diretamente ao gabinete da reitoria, a Universidade FM não vá apenas difundir notícias de interesse pessoal ou com finalidade eleitoreiras no próximo ano haverá eleição para escolha de novo reitor. ''Não haverá isso porque teremos uma política discutida pelo Conselho Universitário'', diz. ''Todos sabem que sou filiada a um partido político, mas a universidade é um espaço plural e tem que ser respeitado'', complementa.
A reitoria disse ainda que o motivo de exonerar a professora e musicista Janete El Haouli da direção da Universidade FM se deve a um único motivo: ''quebra de confiança''. Janete chegou a integrar o grupo de trabalho de elaboração da política de comunicação da UEL, da qual tornou-se uma severa questionadora desde que foi convocada para integrar a comissão, no ano passado. Segundo a reitora, a musicista em momento nenhum a procurou para rediscutir o assunto e, ainda por cima, entregou uma carta assinada por ela e equipe da emissora a um dos conselheiros univesitários apresentando argumentos para que a emissora voltasse a ser um órgão de apoio. ''Era uma carta endereçada a mim sem que tivesse conhecimento'', alegou.
A reitora, no entanto diz que o Conselho Univesitário até pode rever seu posicionamento quanto à subordinação da rádio à COM, conforme pedido feito por Janete. Ela salientou que em breve deverá ser formado um conselho consultivo com a finalidade de definir as diretrizes da emissora.
Por outro lado, Lygia Puppato disse que a programação ''não mudou em nada'', talvez desconhecendo que pelo menos 12 dos quase 30 colaboradores pediram suspensão de seus programas. ''Agradeço a atuação dos colaboradores. Vou me reunir com uma comissão, mas o que tenho a dizer é que as relações têm que ser institucionais e não pessoais'', pontua. Entre os colaboradores que pediram a suspensão de seus programas, está o médico e pesquisador musical José Luís da Silveira Baldy, que produzia e apresentava os programas ''Passado a Limpo'' (o mais antigo, há 14 anos no ar) e ''Música de Memória''. Ele anunciou sua decisão anteontem.
Baldy é presidente da Comunidade de Amigos, Trabalhadores e Apoiadores da Rádio (Camtar, uma organização civil de interesse público (OSCIP), criada há quase dois anos e meio para buscar recursos para financiar projetos da emissora. No sábado, os seis integrantes da Camtar se reúnem para decidir o futuro da entidade. ''A Camtar foi criada para a rádio como órgão de apoio e a partir do momento em que faz parte de uma coordenadoriaa, fica descaracterizada sua função'', argumenta Baldy.


