Claudemir Monteiro apostou no mercado e abriu a Acervo, sua nova lojaA ‘‘Só Música’’, na Galeria Cezar Franco, decorada com fotos e capas de discos dos cantores do passado, completa cinco anos em novembro. Do mês de junho para cá houve uma ‘‘queda violenta’’ no movimento, conforme atesta seu proprietário, Clovis Cordeiro da Silva. Porém, não é a pirataria de CDs que determina esse enfraquecimento. É, pura e simplesmente, a falta de dinheiro.
O consumidor está mais contido na hora da compra. Mesmo rodeado de fotos - e autógrafos - de artistas como Isaurinha Garcia, Dalva de Oliveira, Nora Ney, Elis Regina, o jovem circula com desenvoltura pela casa, assim como os da velha guarda. Cada qual, segundo seus interesses, podem encomendar CDs só encontrados no exterior.
‘‘A música é uma mercadoria viável’’, afirma Silva, aposentado das lojas Hermes Macedo, dono de uma coleção particular de 4 mil LPs e 800 CDs, que abriu a ‘‘Só Música’’ movido pela paixão. ‘‘Meu público é o da velha guarda, bossa-nova, jazz, mpb, anos 60 (especialmente o rock)’’, diz. Segundo afirma o consumidor não só está voltando ao LP, como até recuperando os bolachões dos quais se desfez no calor da novidade do CD.
Caiu 60%O proprietário da ‘‘Raridade Discos’’, Clésius Marcus Real de Aquino, não esconde o orgulho de ter sua loja internacionalizada. Manda encomendas para todo o Brasil e países como o Japão, França, Estados Unidos, Inglaterra. Os ingleses, aliás, gostam muito da bossa nova. Faz intercâmbio de LPs por CDs com a ‘‘Foot Light Records’’, de Nova York. ‘‘Coisas que para nós são banais, para eles são uma raridade’’.
Mesmo assim Real de Aquino avalia em 60% a queda do movimento ‘‘nos dois últimos anos de FHC’’. A justificativa é uma só: ‘‘O dinheiro desapareceu do bolso de todo mundo’’. Mesmo com percalços visíveis nos mais variados setores da sociedade, ainda assim a venda de discos usados continua sendo um ‘‘mercado bastante atraente’’, na opinião do lojista.
Há dez anos à frente da ‘‘Raridade’’, detectou um medo latente numa faixa dos consumidores - de que o vinil desapareça. ‘‘Tem bilhões de LPs espalhados ao redor do planeta. Fatalmente virão para as lojas’’, tranquiliza. Para aqueles com pressa de se desfazer das coleções para acomodar CDs, Aquino manda um recado: ‘‘Não joguem os discos no lixo; façam antes uma avaliação’’.
Para se ter idéia dos diferentes valores de mercado, ele dá uma idéia. Tem discos que vão de R$ 3,00 a R$ 60,00. Este é o preço do álbum ‘‘Sociedade Gran Cavernista’’, de Raul Seixas, gravado nos anos 70. Um dos maiores colecionadores de trilha sonora do País, tem em sua casa a trilha de ‘‘Raízes do Céu’’, de Malcolm Arnold. O registro é de 1957 e está avaliado em R$ 500,00. A trilha do filme nacional ‘‘Coronel Delmiro Gouveia’’, rodado nos anos 70, está cotado nos Estados Unidos a US$ 150.

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