Como a moda deste final de século está refletindo a crise econômica que atinge praticamente o mundo todo? Segundo a consultora de moda Marta Feghali, que esteve ontem em Londrina para proferir palestra no Centro de Eventos do Armazém da Moda, a resposta está na principal temática que envolve o assunto: a busca de porquês.
Marta, que trabalha para o Senai/Cetiqt do Rio de Janeiro, lembra que a tecnologia está muito desenvolvida. Foram criados tecidos ‘‘inteligentes’’, que entre outras características são capazes de respirar, trazer aromas nas fibras, proteger contra os raios solares, proporcionar um efeito relaxante através das fibras de carbono, exercer ação antibactericida e assim por diante. Porém, o lado emocional passa um período de estagnação, favorecido pelo final da Era de Aquário, que leva à busca das origens e inspira a religiosidade.
Mário CesarSandra Calil, estilista: ‘‘Procuramos criar roupas que tenham um toque especial sem elevar muito os custos’’A moda que reflete o momento atual deve, portanto, trazer modelos confortáveis, que levantem o astral (por exemplo as malhas, tecidos fofos, fáceis de usar e que não amarrotam). Estamos caminhando, de acordo com Marta Feghali, para um guarda-roupa cada vez mais esotérico. Isto fica claro na coleção inverno, que vai trazer muitas imagens, de santos a figuras do tarô. ‘‘O estilo será calmo, puro, celestial’’, sentencia.
Também por conta do momento econômico, a consultora de moda afirma que a forte tendência são as peças que permitem ser recicladas e que sirvam para várias ocasiões. ‘‘O consumidor está cada vez mais interferindo no processo de produção da moda, adaptando-a às tendências que fazem parte do seu estilo próprio’’, informa Marta.
Ela acredita que uma saída para os confeccionistas é produzir roupas industrializadas mas que possuam detalhes - uma etiqueta diferenciada, por exemplo - que passem a idéia de exclusividade, de peça única. ‘‘Porque a busca de identidade faz com que as pessoas, ao mesmo tempo em que desejam fazer parte de uma tribo, queiram algo muito pessoal, que as diferencie das demais.’’
O momento, segundo Marta Feghali, é de cautela associada a muita informação. Afinal, fazer moda é saber o que rola nos quatro cantos do mundo e, especialmente no Brasil, só sobrevive quem tiver a mente sempre fervilhando de idéias. ‘‘Brasileiro adora novidades, por menores que sejam’’, afirma a consultora do Senai.
Como alterar as formas é sempre mais oneroso, em tempos de pouco dinheiro a saída tem sido mudar os materiais. Sandra Calil, estilista responsável pela criação e desenvolvimento da coleção inverno/99 do Senai/Cetiqt apresentada ontem aos londrinenses, diz que têm sido utilizados muitos materiais importados, o que agravou nos últimos anos a situação das tecelagens nacionais.
‘‘Como nosso trabalho é direcionado para confeccionistas, procuramos pensar muito nisso, em criar roupas que tenham um toque especial sem elevar demasiadamente o custo.’’ Entre os recursos utilizados, Sandra cita a mistura de materiais na mesma peça e o uso de silk no lugar dos bordados.

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