Crise da Varig atrapalha vôos para o Nordeste
Mata de São João - O maior problema dos resorts hoje não é a competição entre eles, nem a falta de mão-de-obra especializada. É a crise da Varig. ''O que mais prejudica o turismo hoje é a aviação civil'', diz o presidente da Associação Brasileira de resorts, Alexandre Zubaran. ''Com a crise da Varig os vôos ficaram lotados, e turistas precisam passar por cima do Nordeste e depois voltar.''
''Estamos perdendo turistas e oportunidades por falta de acesso aéreo'', diz Xavier Veciana, do Breezes. Ele aponta um outro problema: falta de marketing do Brasil no exterior.
''O turista compra o Brasil sem saber que País é esse. O Brasil é o pulmão do mundo, tem que ser vender mais caro'', diz ele. ''A Embratur faz um bom serviço, o governo da Bahia também, mas ainda é pouco. O Brasil está na liquidação do mercado mundial de turismo.''
A previsão da Bahiatursa, do governo baiano, é receber 22 milhões de turistas em 2020, o que irá gerar uma receita de US$ 7,9 bilhões. Hoje, o turismo representa 7,9% do PIB da Bahia.
Cada resort possui de 300 a 600 funcionários diretos e praticamente o dobro de trabalhadores indiretos. ''Se contar todo o pessoal envolvido, há mais pessoas trabalhando em um resort do que em uma fábrica de automóveis'', diz Zubaran. Atualmente, 480 mil pessoas trabalham com turismo no estado da Bahia, segundo a Bahiatursa. Até o ano de 2020, a previsão é de que o número aumente para 800 mil trabalhadores.
''Muitos empreendimentos tiveram de trazer mão-de-obra especializada de Salvador e até de outros Estados para preencher cargos que exigiam maior qualificação'', diz Cláudio Taboada, presidente da Bahiatursa. Não é difícil encontrar paulistas e gaúchos entre os funcionários dos hotéis.
A rotatividade é alta. O gerente-geral de vendas, turismo e lazer da Accor, Daniel Guijarro, diz que todos os anos um número grande de funcionários extras é treinado para trabalhar durante a alta temporada. ''Quando vamos procurá-los na temporada seguinte outro empreendimento já os chamou. Há procura por mão-de-obra treinada, e os hotéis não hesitam em contratar pessoas de outros empreendimentos.'' (A.P.L./AE)





