São Paulo - Em agosto de 2005, um grupo de bandidos usou um túnel de 84 metros de extensão, cavado sob um cofre do Banco Central, em Fortaleza, para roubar R$ 164,7 milhões. Nenhum tiro foi disparado, e o alarme não soou. A ação foi tão incrível que muitos a consideraram digna de um filme hollywoodiano. Até mesmo os criminosos do bando envolvidos no assalto -que levou pelo menos três meses para ser concretizado e contou com cerca de 30 pessoas- devem ter pensado o mesmo.
Seis anos depois, Marcos Paulo -mais conhecido como ator e diretor de televisão- leva a história da quadrilha e dos policiais que investigaram o crime ao cinema com a produção ''Assalto ao Banco Central'', que estreia hoje em circuito nacional.
Longe de ser um documentário, o longa mostra como o grupo foi formado -em dimensão menor, como atesta Marcos Paulo (ele resolveu mostrar um bando de apenas 11 criminosos)- e de que maneira os policias conseguiram juntar as provas e prender boa parte dos responsáveis pela ação criminosa.
O diretor, baseando-se no livro ''Assalto ao Banco Central'', escrito pelo roteirista Renê Belmonte e pelo policial federal J. Monteiro, opta por narrar duas histórias em paralelo. Em uma delas, há o frio Barão (Milhem Cortaz) selecionando aqueles que participariam do roubo. Entre eles, estão a sensual Carla (Hermila Guedes), o apaziguador Mineiro (Eriberto Leão), o anticapitalista e ideológico Doutor (Tonico Pereira) -responsável pelo planejamento da construção do túnel-, Tatu (Gero Camilo) -o mestre de obras-, e o evangélico e inocente Devanildo (Vinicius de Oliveira).
Na outra ponta da história, já após o roubo, o experiente investigador Amorim (Lima Duarte) e sua parceira, Telma (Giulia Gam), tentam descobrir quem foram os responsáveis pelo crime. Ao longo da investigação, os dois se surpreendem com a estratégia dos ladrões.
''Assalto ao Banco Central'' ainda recupera fatos que se tornaram lendários no noticiário, como o momento em que uma criança, que jogava futebol em uma das ruas do bairro onde o grupo mantinha uma casa, encontra um saco de dinheiro enterrado no jardim.
Ao mesmo tempo, o longa faz críticas explícitas à corrupção existente dentro da polícia. Marcos Paulo mostra de que maneira policiais se envolveram com os criminosos e aproveitaram para extorqui-los, garantindo parte da bolada de quase R$ 165 milhões. É também curioso acompanhar o desmantelamento da quadrilha a partir do momento em que seus integrantes se veem diante de uma montanha de dinheiro.
''Assalto ao Banco Central'' mescla suspense, ação (na captura dos bandidos) e também doses de humor. E prova que o assalto ao Banco Central em Fortaleza tinha todos os ingredientes para se tornar realmente um filme.

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