Crime e paixão
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de junho de 2005
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Entre as cordas das justificativas, a do amor pode ser mais brutal que as desculpas para um homicídio. Com essa corda apertando o pescoço, os personagens de ''Celeste Flora'', montagem da companhia espanhola Albanta, estréia de hoje, às 21 horas, na Casa de Cultura (Rua Mato Grosso, 537), na programação do 38º Festival Internacional de Londrina (FILO),levam ao palco um drama sobre a capacidade humana infinita para amar ou desejar a morte.
Peça com múltiplas leituras do texto premiado de Juan García Larrondo, ''Celeste Flora'' ambienta a ficção em 1934, dois anos antes da guerra civil espanhola.
Num centro penitenciário para mulheres, em Madri (Espanha), Flora espera pela sentença de um tribunal psiquiátrico sob a acusação de ter matado seis meninas.
Com um encantamento que sobrevive aos personagens obscuros, ainda que pese administrarem a morte, Flora é apresentada ao público, através do texto de Larrondo e da direção de Pepe Bablé, com o rosto da beleza - apaixonando o espectador enrolado numa profusão de sentimentos.
''O texto do autor constrói um imaginário muito contemporâneo. É muito denso. É palavra e interpretação, não havendo uma proposta cênica de grandes movimentos'', afirma Bablé sobre o espetáculo em estado duro. Se for considerada louca, Flora irá para um sanatório. Caso contrário, será condenada à morte.
À médica francesa Narcisse, enviada a Madri para estudar o caso - ''a grande protagonista da peça'', na opinião de Bablé, caberá a responsabilidade de pesar as justificativas para os crimes, tendo como medida não só a razão mas também a paixão.
Cada menina que a suspeita mata tem o nome de uma flor. Narcisse é a que Flora mais admira e, talvez por isso, se deixará nascer novamente pelas mãos da suposta assassina.
FICHA TÉCNICA
Texto: Juan García Larrondo
Direção e proposta cênica: Pepe Bablé
Elenco: Charo Sabio e Ángeles Rodríguez
Música original: Eduardo Bablé
Intérprete: Elena Amália Bablé
Construção cenografia: RAS Artesanos
Desenho de iluminação: Pepe Bablé
Assistência de direção: Charlie Keaton e Desirré Ortega


