Criatividade em alta
Outro paranaense a participar da Quadrienal de Praga em 2003 é o Ateliê de Criação Teatral (ACT), de Curitiba. O cenógrafo Fernando Marés, um dos coordenadores do espaço ao lado de Luís Melo e Nena Inoue, comenta que J.C. Serroni convidou o ACT e mais duas escolas para mostrar seus trabalhos no evento. ''Para nós foi uma honra, porque a Quadrienal reúne a cenografia do mundo todo. Estaremos na seção de Escolas de Cenografias. É a representação brasileira do ensino de cenografia'', diz.
Para o cenógrafo, a participação é interessante também para os próprios frequentadores do ACT. ''Vamos levar trabalhos feitos a partir da proposta do atelier''. Marés explica que o ACT tem duas frentes de trabalho. Uma dá suporte para as propostas do ateliê como um todo: pesquisa, montagens, oficinas e outros eventos. A outra é o trabalho desenvolvido dentro do ateliê, incluindo ensino, aprendizagem e pesquisa. ''Nesse caso, sempre há o empenho para que o frequentador não tenha posição de aluno, mas de participante do processo, enquanto artista''.
Na Quadrienal, Fernando Marés antecipa que a idéia é transformar o estande das escolas em um ateliê. ''Além dos trabalhos desenvolvidos no ACT, estaremos juntos a outras escolas que vão levar seus trabalhos, alguns em andamento. Teremos croquis, desenhos, maquetes, fotos... A idéia é que tudo seja exposto como um work in progress'', antecipa.
O ACT funciona há mais de dois anos como um espaço cultural voltado à pesquisa, experimentação e formação do ator. O ateliê realiza oficinas permanentes de teatro e cenografia, encontros de caráter multiárea e mantém ainda um Núcleo de Pesquisa Teatral. No ano passado, o ACT estreou a montagem da peça ''Cão Coisa e Coisa Homem'', com direção de Aderbal Freire-Filho e cenário de Fernando Marés.
Enquanto está nos preparativos para a Quadrienal, o ACT dá continuidade a seus cursos. Fernando Marés estará ministrando mais um workshop de cenografia de 10 a 14 de março. Estudantes de teatro, arquitetos, artistas plásticos e pessoas ligadas às artes visuais podem se inscrever pelo site www.act.art.br ou pelo telefone (43) 338-0450.
Fernando Marés é cenógrafo, figurinista, cenotécnico, artista plástico e programador visual. Formado no Curso Permanente de Teatro da Fundação Teatro Guaíra, iniciou sua carreira em 1979, na peça ''Ponto de Partida'', dirigida por Antônio Carlos Kraide. Marés já recebeu nove Prêmios Gralha Azul e dois Prêmios Poty Lazzarotto, além de ter sido indicado para o Prêmio Sharp de Teatro de 1998, pelo espetáculo ''O Burguês Ridículo'', direção de Guel Arraes. Entre os últimos trabalhos que assinou estão ''Os Incendiários'', produção do Centro Cultural Teatro Guaíra (2000), com direção de Felipe Hirsch, e ''Cão Coisa e Coisa Homem'', do ACT (2002). (J.S.)





