O novo espetáculo do Ballet de Londrina, ‘‘Cria’’, deve estrear somente no final de março, porém o diretor e coreógrafo da companhia, Leonardo Ramos adiantou à Folha 2 que o público poderá esperar algumas novidades. A primeira delas é que este é o primeiro bailado do grupo com longa duração, em torno dos 37 minutos. Outra é que será dividido em duas partes: ‘‘O Forrobodó’’, com a músicas ‘‘Frevo’’ e ‘‘Forrobodó’’ de Egberto Gismonti; e ‘‘A Cria’’, com a obra ‘‘Concerto para Violino e Orquestra opus 35’’ de Tchaikovski.
A primeira parte do espetáculo usa a mesma música de Gismonti que Leonardo Ramos baseou para criar o balé ‘‘Nó’’, de 1994, seu primeiro trabalho como coreógrafo para o Ballet de Londrina. ‘‘Nó foi minha primeira obra, praticamente na infância do grupo. Então achei que poderia fazer uma recriação já que tinha alguns elementos que, revisando, me incomodavam demais’’ - diz.
‘‘Cria’’, para Ramos, contém uma crítica sutil ao processo de amadurecimento do ser humano, que esquece seu lado lúdico e a ‘‘soltura’’ da infantilidade pela seriedade da vida formal. ‘‘Cria faz um forrobodó propondo a percepção da criança hoje falsificada pela seriedade dos homens’’ - diz.
Os cenários e os figurinos ainda não estão definidos mas, segundo Ramos, deve seguir a idéia de coisa móvel e facilmente transportável para ajudar a reduzir custos para as turnês. ‘‘Em termos de figurinos estou seguindo, cada vez mais, a tendência de usar menos roupa. Não em termos de apelação, do nu pelo nu, mas em termos de estética mesmo, porque o preparo físico do corpo de baile está cada vez melhor’’ - afirma.

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