O sobrenome é ''estrangeiro'' mas já nos primeiros acordes de ''Correnteza'' a gente percebe que a música de Edu Krieger é bem brasileira. O disco é o segundo do cantor, compositor e instrumentista, que ganhou o prêmio de artista revelação da Associação Paulista de Críticos de Arte com o primeiro trabalho, há dois anos.
Neste novo CD, Krieger apresenta 12 faixas autorais. ''Correnteza'', um samba, puxa a fila com a guitarra de Krieger dialogando com o cavaquinho de Alessandro Cardozo.
Ele compõe, toca e canta. Krieger é uma explosão de criatividade, até nas letras. Uma das músicas tem um nome curioso, ''Desestigma'', palavra sem definição no dicionário. As frases citam de maneira divertida pessoas ou situações que não podem ser rotuladas, estigmatizadas.
Com uma voz suave, quase de menino, o artista ''brinca'' nas canções. Em ''Galileu'' ele fica à espera do por do sol para a prometida volta da amada, até que o próprio sol dá uma lição de astronomia: ''Eu não me ponho jamais/ Eu só fico parado / A Terra é que faz / Eu virar pro outro lado. Um grande instrumentista da nova geração, o francês Nicolas Krassik completa a música com um solo de violino no final.
''Clareia'' é um samba de roda com percussão de João Hermeto e participação especial de um dos integrantes do grupo Tira Poeira, o bandolinista Henry Lentino.
E quando a gente pensava que o disco só tinha brasilidade, Krieger surge com um bolero: ''Sobre as Mãos'', uma parceria com Zé Paulo Becker (do Trio Madeira Brasil), que faz a música. Desta vez, Krieger assina a letra. Destaque para o piano cheio de bossa do mestre João Donato e o trombone de Roberto Silva, que dá o tom da música.
O CD vai de surpresa em surpresa: ''A Mais Bonita de Copacabana'' tem solos incríveis da gaita do convidado especial Rildo Hora. E ''Ela Entrava'' mostra um naipe de cuícas, em um arranjo inusitado. O desafio de gravar as cinco cuícas sobrepostas foi vencido pelo percussionista Fabiano Salek. As cuícas é que fazem os acordes e criam um campo harmônico para a melodia.
O disco tem ainda um xote de voz e sanfona, ''Rosa de Açucena'', que parece coisa de antigamente e uma versão pop para ''Graziela'', que já havia sido gravada no final dos anos 90 peloo extinto grupo de forró Paratodos. Para fechar o trabalho, um último samba carregado de ironia. ''Serpentina'', com arranjos de sopros, traz Adão e Eva expulsos do Paraíso direto para... o Brasil. O casal desembarca na Bahia e inventa o carnaval.

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