Basta o rapaz tirar da mochila as latas de spray, acender um incenso e espalhar folhas de papel em branco pelo chão que a platéia está formada. Assim é o local de trabalho do paulista Rafael Silva Lopes, de 18 anos, ao iniciar suas criações com pintura em spray e fogo. No Calçadão de Londrina, ele vira atração a qualquer hora do dia. Depois de colocar uma máscara para proteger o rosto, ele inicia uma nova obra de arte. É uma verdadeira apresentação. Jatos de spray colorido borrifados na folha branca são trabalhados com a mão, jornal, espátulas, cartolinas, moedas e até copos. O fogo dá o toque final.
Rafael pinta principalmente paisagens. ''O que vem na cabeça eu tento fazer. Se deixar, vira um processo automático; mas sempre incremento com coisas novas parar não correr esse risco'', conta.
Apesar da pouca idade, o artista deixou sua cidade natal Bauru há oito meses para viajar e trabalhar nas ruas. ''Isso foi opção de vida. Minha idéia é conhecer pessoas e levar a arte para quem não tem contato com ela''. O artista vem trabalhando essa opção há um bom tempo. ''Aí conheci um amigo colombiano, também artista de rua, e com ele aprendi a arte da pintura com spray''. Foi o que faltava para Rafael fazer as malas e sair pelo mundo. ''Meus pais ainda ficam com medo, porque viajo bastante. Mas é o que gosto. O que faço bem. E tem muita gente disposta a ser amigo''.
Rafael se sustenta com o dinheiro da venda das pinturas. Nas viagens, procura ficar em hotéis baratos e comer em restaurantes simples. ''O que ganho dá para fazer isso tudo'', avisa. Prova é que ele já trabalhou em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, e agora quer ficar temporadas maiores longe de casa. ''No ano que vem vou viajar pela América Latina e trabalhar na Argentina e Chile'', comenta o rapaz, que ficará em Londrina até o final do mês.
A desvantagem de estar nas ruas, na opinião de Rafael, passa pela repressão aos artistas em algumas cidades. Fora isso, é maior o prazer de ''fazer as pessoas mais felizes, passar e receber atenção, carinho e respeito''. ''Às vezes, o que falta no dia-a-dia das pessoas elas encontram aqui. É isso que me dá prazer''.

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