CRIATIVIDADE - Tapetes cheios de histórias
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segunda-feira, 28 de julho de 2014
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Os tapetes de tecido confeccionados por alunos da Escola Municipal Arthur Thomas, de Londrina, não são mágicos, mas fazem a imaginação voar. Ao mesmo tempo que ilustram a contação de histórias de origem africana, indígena e da cultura popular brasileira, ajudam na decolagem da mente. A oficina cultural "Costurando Histórias" está sendo realizada no contraturno com 28 alunos, de 9 a 11 anos de idade. Com patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), a iniciativa partiu da artista plástica Patricia Mendes Cavalcante e da produtora cultural Daniella Fioruci, que desde o final de fevereiro estão realizando a atividade duas vez por semana. A oficina tem duração de quatro horas e será encerrada em agosto.
Na sala cheia de materiais, como tecidos coloridos, botões, linhas, fios, tesouras e agulhas, os alunos se divertem e deixam a criatividade solta para criar os mais diferentes objetos de tecidos que ilustram os personagens e situações características das histórias vivenciadas em rodas de conversa e que serão pregados nos tapetes. No decorrer do semestre, eles tiveram contato com 12 histórias, que foram lidas em conjunto e serviram de base para os alunos selecionarem cinco contos a serem transformados em tapetes coloridos e cheios de aventuras para contar: a lenda brasileira "O Vaqueiro Que Não Sabia Mentir", a lenda africana "Ananse, o Dono das Histórias" e as lendas indígenas "Nhanderu, a Lenda do Sol e da Lua", "Nhanderu, Porque o Sol Anda Tão Devagar" e "A Lenda das Cataratas do Iguaçu". Dinâmicas e brincadeiras também fizeram parte das atividades.
Orgulhosos de suas próprias criações, os alunos se esmeram em explicar nos mínimos detalhes os tapetes feitos com muito capricho e mostram um bom domínio da arte de costurar, usando com habilidade linhas, agulhas e tesouras materiais que nem sempre os adultos permitem que eles tenham acesso. Ponto atrás, ponto cheio, ponto caseado, entre outros, e até fuxico fizeram parte de suas descobertas. Alguns alunos chamam a atenção pela qualidade do resultado conquistado.
"Isso foi muito interessante, ainda mais que a maioria nunca tinha costurado nada antes. Trabalhamos o tempo todo com o conceito de autonomia, lembrando sobre as responsabilidades deles para que o trabalho em conjunto consiga ser realizado, e a proposta é que as ideias para o tapete partam deles. Algumas vezes eles chegaram a pedir moldes para fazer, por exemplo, uma onça, mas gradativamente passaram a ter mais autoconfiança e fazer as coisas do jeito deles", explica Daniella.
E o resultado foi surpreendente: teve aluno que de repente descobriu que conseguia fazer moldes no papel para depois ser utilizado no tecido e teve até quem desenvolveu em alguns trabalhos uma estética bem peculiar de referência indígena. Objetos que se movimentam, como um sol que pode ser utilizado como uma luva, e até um dedoche com um urubu cheio de estilo fazem parte dos objetos cênicos criados por eles. "Esse tipo de trabalho manual também faz um resgate afetivo com relação à atividade de costurar, que muitos deles já conheciam por parte das avós, relacionando-se a várias questões simbólicas. É uma forma também de se concentrarem no que estão fazendo, sentirem que são capazes de criar algo bonito e o tapete feito por eles passa a ter um significado maior, diferente do que se tivéssemos trazido tudo pronto", acrescenta a artista plástica Patricia.
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