O primeiro pipi e afim no peniquinho é praticamente um acontecimento em família, depois de meses e trocas de fraldas. Para incentivar ainda mais os herdeiros a fazerem as coisas no lugar certo, os pais dão até tchauzinho para a superprodução. O que nem imaginam é que sentado à sua frente pode estar um Bill Gates e, bem ali, diante deles, o primeiro projeto bem-sucedido do pequeno notável.
Gênios do mundo empresarial, como Bill Gates, fundador da Microsoft, empresa que faturou US$ 44 bilhões, em 2006, são tão raros quanto a passagem de um cometa.
Porém, ainda que não consigam ser os autores de uma façanha, como Gates, que apesar de ter sido considerado visionário no passado e, hoje, um negociador agressivo, os pais podem ser bem-aventurados, colaborando com a obra da criação, que no pacotinho genético dos chamados espíritos empreendedores inclui um gene, que determina o empreendedorismo.
Cientistas do St. Thomas Hospital e Takaka Scholl of Business do Imperial College, na Inglaterra, e da Case Western Reserve University, nos Estados Unidos, comprovaram que os sortudos que nascem com o gene NR2B têm boas chances de ser empreendedores de sucesso.
O gene está presente em 3,5% a 5% da população mundial, estando relacionado ao desenvolvimento de características como capacidade de sobrevivência em ambientes hostis, encontrar soluções de problemas e senso de oportunidade.
As chances dos pais passarem o gene do empreendedorismo para os filhos são de 50% - o que não garante o sucesso de ninguém. Então, é hora de toda a família entrar em ação.
A maneira como os pais educam os filhos pode ser o empurrãozinho que falta para o gene que tornará a criança um franco empreendedor.
Incentivar coisas simples, como não fazer mais pipi na roupa, pode ser o mesmo que tirar a rolha de uma garrafa para libertar um geniozinho.
''Na primeira infância, com 26 meses, o bebê começa a sinalizar que está com vontade de fazer cocô e xixi. É nesse momento que os pais devem estimular a autonomia e a iniciativa. A consciência vai registrar até 36 meses. O pai e a mãe não podem ser rígidos demais, com o risco de inibir a autonomia. Também não devem permitir demais, o que pode gerar iniciativa fora da norma'', afirma o consultor e especialista em manejo comportamental, Luiz Fernando Garcia.
Autor dos livros ''Pessoas de Resultado e ''Gente que Faz'', ambos pela Editora Gente, Garcia é pioneiro no Brasil na abordagem de orientação para resultados em equipes e empresas e pelo desenvolvimento da metodologia de Manejo Comportamental como Projeto Arranjos Produtivos Locais (APL) para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Superada a fase de fraldas e papinhas, na segunda infância, é hora dos pais darem oportunidade aos pingos de gente de poderem enfrentar pequenos desafios.
''Quando a criança quer achocolatado, por exemplo, os pais devem deixar que elas preparem, oferecendo condições para isso, deixando em uma altura e lugar que consigam alcançar. Hoje, alguns pais por comodismo preferem levantar da cadeira e preparar a bebida, evitando que os filhos façam sujeira. É mais fácil fazer o lanche do que conduzir o filho e permitir que aprenda com os erros. Nesse exemplo simples, a criança faz uma operação mental, que será responsável na fase adulta por uma capacidade de visualização a longo prazo'', ressalta Garcia, lembrando que a maioria dos pesquisadores comportamentais considera a visualização uma qualidade importante nos empreendedores francos, que os leva a identificar oportunidades e encontrar soluções com mais facilidade.
Os pais, em casa, começam ensinando os filhos o caminho do banheiro e a dizer adeus à fralda e a escola também precisa contribuir para o nascimento de um empreendedor, com atividades que ajudem os alunos a desenvolverem essa capacidade.
''Os educadores devem saber fazer uma equidade dentro da sala de aula para cada estudante desenvolver a sua fórmula. Ao ensinarem sobre as quatro estações do ano, por exemplo, devem deixar que os alunos escolham como vão apresentar os conhecimentos. Na adolescência, os estudantes podem trocar experiências, através de jogos, que estimulem tomada de decisões'', afirma Garcia.

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