Criando as próprias histórias
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terça-feira, 21 de outubro de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Um upgrade nos desenhos animados antigos daria à Olívia Palito, a eterna namorada do Popeye, um corpo esculpido por dietas. He-Man, que alguns afirmam ser o precursor do ''barbie lifestyle'', seria um rato de academia. Especulações sobre qual o destino de alguns heróis se tivessem uma nova configuração não faltam, mas, a fascinação pela animação desperta entre os fãs a vontade de poder criar os próprios personagens e enredos.
Uma oficina de animação do Centro Municipal de Expressão Artística da Fundação Cultural e Artística de Cambé, com crianças e adolescentes de 11 a 17 anos, já produziu desenhos exibidos em mostras, como o Festival de Cinema e Vídeo, realizado no Rio Grande do Sul, e no Mostra Arte Viva, do Ministério da Cultura (MinC), em Belo Horizonte (MG).
Cento e cinquenta jovens já passaram pela oficina que, além da própria fundação acontece, uma vez por semana, no Ponto de Cultura do Jardim Silvino, em Cambé. ''Deixo os alunos livres para criarem os próprios roteiros. Surgem muitas idéias, mas o importante é que as oficinas despertam o lado lúdico nos participantes'', afirma o coordenador da oficina, o arte-educador Wilson Inácio.
Nem pelos poderes de Grayskull ou se miss Palito fizesse lipoescultura, He-Man ou a namoradinha do Popeye conseguiriam vencer os heróis dos videogames, que hoje fazem a cabeça dos jovens que só não nasceram no mundo virtual, mas entendem tudo dessa realidade - a maior fonte de inspiração.
Inácio conta que a maioria se interessa por jogos de videogame e filmes de ação, mas se dedicam a aprender várias técnicas de animação, desde a de desenhar os quadros ao recorte e stop motion.
Os alunos começam pelo desenvolvimento dos roteiros, criam o storyboard e os personagens. ''A produção toda pode levar um mês, dependendo da técnica escolhida pelos alunos. Já tivemos roteiros que foram desenvolvidos em seis meses. Em média, os desenhos têm de 15 segundos a 2 minutos de duração. Faltam equipamentos adequados para produzirmos melhor, mas a gente foi adaptando e inventando maneiras de superar as dificuldades'', comenta Inácio.
Mateus Fini, 12 anos, aluno da sexta série do fundamental, conta que gostava de ficar desenhando em sala de aula e acabou dando vazão à inspiração na oficina. ''O mais legal das aulas de produção de desenho animado é ver no que vai dar o enredo'', conta Mateus.
Lucas Zarth, 12 anos, estudante da sexta série, lembra que imaginava ser muito difícil fazer um desenho animado, descobrindo que algumas técnicas são simples. O interesse do garoto despertou o de outros três amigos, que também fequentam a oficina.
Além de aprenderem técnicas de animação, os alunos conhecem um pouco da história dos desenhos animados e o outro lado da fama de personagens, como Olívia Palito que, quem diria, já foi gordinha.
Pois é, nos primeiros quadrinhos em que apareceu, a personagem tinha alguns quilos a mais, mas nada que o bisturi do desenhista não pudesse resolver - histórias que podem inspirar os participantes da oficina em querer ser também mestres na animação.


