''Criança não deve apenas ler gibis e revistas, tem que ler jornal também. Ele ajuda a desenvolver o hábito da leitura, melhorar o conhecimento sobre Londrina e o mundo, e até já consigo ler um jornal inteiro.'' Foi dessa forma que Lucas Seiti Takemura, de 9 anos, comentou sobre a importância de ler jornal na sala de aula. Na última sexta-feira, a Escola Educativa, onde ele estuda, promoveu uma feira de literatura. Lucas e mais 11 colegas organizaram um estande sobre os meios de comunicação. Em uma sala totalmente forrada com páginas de jornais, não faltou entusiasmo para explicar o desenvolvimento da notícia e seus diversos meios de divulgação, como jornais, revistas, rádio, ou televisão.
A escola participa desde o ano passado do Projeto Folha Cidadania, que uma vez por semana envia diversos exemplares para serem usados como material didático. Nas edições de terça-feira, cada editoria do jornal prepara um resumo bastante explicativo sobre uma notícia de destaque. ''Acho isso muito legal. Nós recortamos e até montamos uma pasta de arquivo para consulta'', contou Lucas.
Entre as atividades realizadas com o jornal, estão os exercícios de ortografia com as palavras utilizadas nos textos jornalísticos, a leitura dos textos, seguida de redações sobre o tema (para avaliar o nível de compreensão sobre o assunto) e a transcrição dos textos mudando os tempos verbais. As crianças também aprenderam noções básicas do texto jornalístico e sabem, na ponta da língua, as regrinhas básicas de uma notícia, que tem que responder às perguntas: quem? quando? onde? o quê? por quê? para quê? e como? Noções que ajudaram as crianças a prepararem diversas entrevistas com os professores da escola. Eles também organizaram um teatro com o título ''Um nome roubado'', em que parte dos personagens representavam a imprensa e a sua busca constante pela notícia.
Felipe Guilherme Kloc, 9 anos, que deu as explicações sobre as regras básicas da notícia, disse que o seu pai não tem o hábito de ler jornais, mas que ele está feliz que o filho está tendo a oportunidade de desenvolver isso na escola.
''Considero o jornal um instrumento didático excelente, que facilita muito a preparação das aulas. E os assuntos do jornal podem ser trabalhados de maneira divertida. Na sala de aula, até a tinta que o papel jornal solta vira motivo de brincadeira'', afirmou a professora de português, filosofia e formação cristã, Nanci de Mello Gonçalves.
Ela também destacou um acontecimento recente, quando as crianças chegaram na sala de aula apavoradas com a pneumonia asiática, sendo que uma delas chegou a afirmar que um vizinho, com uma gripe mais forte, deveria estar com a doença, que até o momento já matou 51 pessoas. ''Eles estavam muito confusos com aquilo que estavam ouvindo pela televisão...'', comentou Nanci. Coincidentemente, naquele dia, a Folha Cidadania abordou o assunto e o tema pôde ser trabalhado em sala de aula. ''Foi um alívio e uma oportunidade de esclarecer um fato bastante atual.''

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