Crianças desvendam o céu
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de outubro de 2017
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 

No Sistema Solar, além da órbita de Netuno, existe um cinturão de objetos composto de gelos e rochas dentre os quais destacam-se os planetas anões: Plutão, Ceres, Eris, Makemake e Haumea. Este último, o menos conhecido, foi alvo de uma campanha internacional de astrônomos que permitiu determinar suas principais características físicas e teve a participação do professor Felipe Braga Ribas e da aluna Flávia Rommel, do Programa de Pós-Graduação em Física e Astronomia da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná). O estudo foi publicado na nova edição da revista Nature, respeitada publicação científica interdisciplinar britânica, com anúncio mundial realizado no último dia 11 de outubro, em Curitiba, sobre a descoberta do anel em torno do planeta anão.
Além dos pesquisadores da UTFPR, fazem parte da equipe outros sete brasileiros do Observatório Nacional (RJ) e do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e cientistas de instituições internacionais da Espanha e França. A descoberta feita pela equipe evidencia a presença de uma nova propriedade em corpos celestes e abre ainda mais questões sobre a evolução dos objetos no Sistema Solar. O artigo publicado apresenta as principais características físicas do Haumea como, por exemplo, tamanho, forma e densidade. O pesquisador da UTFPR foi um dos pioneiros na aplicação de um novo método, mais eficiente e complexo, que consiste em estudar as ocultações estelares, ou seja, a passagem destes objetos na frente de uma estrela.
Para Ribas, o interesse da população pelo universo e o sistema solar é natural, mas se perde pela falta de incentivo. "As instituições de ensino seriam a via ideal de fomentar todo esse interesse, mas o professor de qualquer nível tem que administrar tantas questões além da preparação da aula, que esse conteúdo acaba perdendo espaço. Até porque, nenhum professor vai se colocar em uma situação constrangedora de trazer um conteúdo extra sem ter o devido preparo. A falta de apoio não permite essa atualização", constata, lembrando que, no caso dele, isso foi possível por ter um pai professor de Ciências que sempre o estimulou muito.
Ciência cultivada
Apesar de ser uma área de pouca divulgação e conhecimento para a população em geral, a descoberta reafirma a importância e o destaque no Brasil na realização de pesquisas de grande impacto e de ponta na ciência mundial. E uma iniciativa que visa aproximar a astronomia das pessoas é o estímulo à visitação a planetários para poder ver de perto, um pouco, do Sistema Solar e o Universo. Em Londrina, uma parceria entre a Prefeitura Municipal e a UEL (Universidade Estadual de Londrina) possibilita que qualquer instituição ou cidadão faça visitas guiadas ao Planetário de Londrina para desvendar essa área curiosa e fascinante.
Alunos do quinto ano da Escola Municipal Doutor José Hosken de Novaes puderam conhecer um pouco da astronomia neste modelo de visitação. A curiosidade começa do lado de fora, pela arquitetura nada convencional do Planetário. Depois de percorrerem os corredores em que estão distribuídos banners com informações científicas, as crianças são direcionadas para a sala de projeção, onde participam de uma sessão de imersão ao universo. "Na sala escura, os visitantes veem a reprodução real do céu estrelado de Londrina, que na cidade é difícil ver por causa da iluminação e poluição e, também, a projeção do sistema solar com um vídeo que possui uma locução didática. Nesta aula, é possível conhecer mais e saber a diferença entre os planetas, as estrelas, as fases da lua, as estações do ano. Um dos objetivos é mostrar curiosidades sobre astronomia e o que influencia a natureza e a vida humana", explica o coordenador Américo Tsuneo Fujii, do Departamento de Física, do Centro de Ciências Exatas (CCE) da UEL.
As visitas de grupos acontecem diariamente no período da manhã e tarde, e podem ser agendadas pelo telefone 3326-0567 a uma taxa que varia conforme a instituição. No último sábado, do mês, o Planetário abre as portas à população em geral pelo valor de R$ 3,00 a sessão. Em Londrina, desde 1999, existe o Gedal (Grupo de Estudo e Divulgação de Astronomia de Londrina), associação sem fins lucrativos formada por indivíduos das mais variadas formações culturais e profissionais, unidos pelo interesse mútuo em torno da Astronomia e suas ciências correlatas. (Colaborou Magaléa Mazziotti)

Planeta anão
O planeta anão Haumea é um objeto bastante curioso: gira em torno do Sol em uma órbita elíptica que se completa em 284 anos (atualmente sua distância de nós é de umas cinquenta vezes a da Terra ao Sol) e sua velocidade de rotação é de 3,9 horas, muito mais rápido que qualquer outro corpo do Sistema Solar com mais de cem quilômetros de diâmetro. Esta velocidade faz que Haumea se deforme, adquirindo uma forma elipsoidal similar a uma bola de rugby. Por conta dos novos dados agora publicados, sabe-se que Haumea mede 2.320 quilômetros no seu maior lado, quase igual ao diâmetro de Plutão, mas sem sua atmosfera global.


