Criança nascida em mundo dividido
Criança nascida em mundo dividido
O argentino Joaquín Salvador Lavado, o Quino, conversou com a reportagem em um curto intervalo de suas atividades em sua breve passagem pelo Brasil.
Atento, como bom artista que é e que sabe olhar e extrair piadas e críticas a partir do comportamento cotidiano do homem, Quino brincou com o repórter durante toda a entrevista.
A certa altura, ao ver a caligrafia do entrevistador, perguntou: Por que você está espremendo as palavras aí?
Leia a seguir trechos da entrevista de Quino.
A personagem Mafalda foi criada em meados dos anos 60, em uma época que o mundo estava dividido entre comunismo e capitalismo. Como seria a Mafalda se ela fosse criada em uma sociedade globalizada como a de hoje?
Quino - Não tenho idéia. Ela só cabe dentro daquele contexto de um mundo dividido. Pelo menos é o que eu vejo, não sei o que os leitores pensam. O que os personagens faziam anos atrás é certamente bem diferente do que fariam hoje, assim como eu ou você.
Quais foram as suas principais influências quando o senhor começou a desenhar?
Quino - Quando criança, eu lia apenas trabalhos publicados em revistas argentinas, especialmente os de Guilherme Divito na revista Rico Tipo.
E qual recado o senhor daria hoje para um quadrinhista que está começando carreira?
Quino - O mesmo conselho que eu daria para alguém que quer ser um pintor ou um músico: que estude o máximo que puder, que leia muito e trabalhe bastante. O artista precisa conhecer os clássicos: Michelangelo, Leonardo da Vinci, Rafael.
Quem o senhor considera os clássicos em quadrinhos?
Quino - São vários. Will Eisner (criador do Spirit), Hal Foster (do Príncipe Valente)... Mas, atenção: eu não estou dizendo que eles (os que começam carreira) devem ser como eles, pelo contrário. Devem conhecer como são os clássicos para, a partir deles, criar histórias e estilos diferentes.





