Imagine a fuga ideal de fim de semana com o seu par. Um lugar tranquilo no campo, onde se ouve o canto dos pássaros de manhã, ou um hotel no litoral, no qual se desperta com o vaivém das ondas na areia. Tudo perfeito até que... começa um choro interminável. É o filho de 2 anos dos hóspedes do quarto ao lado. Uma criança linda, só que, infelizmente, você a ouve com muito mais frequência do que a vê.
Para evitar incômodos dessa natureza, muitos hotéis e pousadas, principalmente os que têm casais como público principal, preferem não aceitar crianças. Longe de serem locais inapropriados ou até mesmo segregadores, esses estabelecimentos descobriram um filão no mercado: adultos que buscam conforto e atendimento diferenciado.
''É um nicho que está crescendo no Brasil. A rede francesa Relais & Chateaux, por exemplo, tem muitos associados que não aceitam criança'', diz o dono do Kiaroa Beach Resort (71-3272.1320), Ferruccio Bonavi. O empresário sempre adotou a política de não deixar os pequenos entrarem no resort. ''Criança quer brincar e se jogar na água'', afirma. ''Nosso hotel é para quem quer curtir a natureza, descansar e ler.''
Segundo Bonavi, 90% dos hóspedes do Kiaroa, na Península de Maraú (BA), são casais. Muitos deles, aliás, são pais que deixam os filhos em casa para aproveitar um tempinho a dois. ''De vez em quando, todo mundo precisa'', argumenta.
O engenheiro e sommelier Eduardo Freschet entende bem o conceito de tirar férias dos pequenos. Pai e avô, procura evitar hotéis e pousadas que aceitam crianças sempre que quer descansar ou namorar. ''Elas têm uma energia sem-fim. Acordam cedo e fazem barulho. Jantar à luz de velas não combina com crianças correndo'', diz.
Freschet é um dos fãs da pousada La Villette (012-3663.2767), em Campos do Jordão, a 192 quilômetros de São Paulo. Instalada na residência da dona, que a transformou em hotel, não aceita crianças, para preservar as antiguidades e os objetos de valor da decoração.
Assim o La Villette começou e assim continua: a tranquilidade de pombinhos de todas as idades segue garantida. ''Recebemos vários perfis de casais em lua-de-mel, jovens e de meia-idade'', diz a gerente, Dulce Martinez. Ela admite que há quem reclame da regra, mas há também quem a leve na brincadeira. ''Dizem que a gente estimula a fazer o bebê e, depois, não deixa entrar na pousada'', ri.
Os serviços e a infra-estrutura dos hotéis que não aceitam criança são totalmente pensados para casais. No lugar de playgrounds é dada mais ênfase a tratamentos de spa, culinária e privacidade. ''Temos 60 funcionários para atender 48 hóspedes é mordomia mesmo. Você nem vê as outras pessoas do hotel'', descreve o dono do Kiaroa, Ferruccio Bonavi. No La Villette, o café da manhã é servido até as 13 horas. ''Sempre tem uma carne ou ave, porque o amor dá fome'', diz a gerente, Dulce Martinez.
Segundo Lílian Franco, gerente-geral do Unique Garden (11-4486.8700), em Mairiporã, a 39 quilômetros de São Paulo, a ausência de camas extras nos 25 chalés do hotel reforça o clima romântico. Para tornar o ambiente ainda mais propício, há pacotes com direito a banhos de ofurô, massagens e tratamentos de beleza.
O empresário Rafael Maia, dono da Ilha Splendor (12.3896-3346), em Ilhabela, no litoral paulista, acha que a estrutura de sua pousada é tão inadequada para os mais novos que chega a ser um risco. ''As suítes têm varanda para o rio. É uma ribanceira, um lugar perigoso'', diz.
Pelo mesmo motivo estar localizado num terreno acidentado com riachos e cachoeiras , o Hotel Fazenda das Videiras (24-2233.5405), em Teresópolis, no Estado do Rio, veta a entrada de crianças.

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