'Criança Esperança' atenua as fronteiras da infância
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segunda-feira, 05 de agosto de 2002
Francelino França<br> Enviado a Belo Horizonte 
O Programa Criança Esperança, da Rede Globo de Televisão, chegou a 17 edição. Pela primeira vez, o programa deixou de ser realizado em São Paulo e chegou em Belo Horizonte (MG). Até o encerramento do programa no domingo de madrugada, os brasileiros haviam desembolsado mais de R$ 7 milhões, via telefone ou internet. O projeto mantém parcerias técnicas e financeiras de 52 projetos no sociais no País. O Paraná está incluído apenas no projeto nacional Pastoral da Criança. O tema desse ano foi abandono e trabalho infantil.
O programa leva três meses para ser planejado, um mês para ser montado e três dias de ensaios. São mais de 1.500 pessoas trabalhando, para 18 mil pessoas na platéia. O diretor do programa, Aloysio Legey afirmou desconhecer qual o valor para se montar essa edição. ''Faço questão de não saber'', disse à Folha2.
Certamente o povo mineiro nunca havia recebido num único evento uma constelação de estrelas de primeira grandeza. Artistas para todos os gostos como Daniela Mercury, Fat Family, Angélica, Zeca Pagodinho, Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano, RPM, KLB, os integrantes do Fama, e muito mais. Por isso, a concentração nos portões do Mineirinho aconteceu desde a noite anterior ao dia do show. Os primeiros da fila eram incondicionalmente fãs de Xuxa ou Sandy & Júnior. Todos com idades acima de 18 anos e que ostentavam faixas na cabeça identificando o ídolo.
Uma das curiosidades do programa: Xuxa não ensaia. Ela recebe o script nos camarins e as marcações de cena. No sábado à tarde, a substituta de Xuxa, uma garota loira de cerca de 110 kg, dançava, dublava e acenava para o público, numa cena surrealista. Nos ensaios, o cantor Buchecha não conseguia conter a emoção de subir pela primeira vez ao palco sem o companheiro Claudinho, falecido recentemente num acidente de automóvel. Buchecha parecia querer consolar as pessoas que o cumprimentavam, até mesmo o jornalista de São Paulo que o chamou de Claudinho. Buchecha chorava muito. ''Fazer o Criança Esperança é uma forma de homenagear Claudinho. É uma forma de aparecer e agradecer o carinho que estou recebendo das pessoas. Ainda não sei o que fazer da carreira, não tenho planos'', disse à Folha2.
A cantora Wanessa Jackson, vencedora da maratona musical Fama, medrou diante do público numeroso. Nos dias que antecederam à apresentação, Wanessa teve problemas de pressão arterial. ''Passei mau cara, minha pressão foi para 18x9. Aí eu tomei um Diazepan'', revelou nos camarins. ''Meu CD deve sair em setembro e estou definindo repertório'', avisa.
O garoto Pablo, da periferia do Rio de Janeiro, ensaiava seu depoimento à jornalista Glória Maria de como tinha sido encontrar o E.T. (do filme do Steven Spilberg) nos Estados Unidos. ''Eu nunca pensei nada na vida'', disse Pablo. Glória Maria: ''Que bom!''. Depois da gafe, Glória ficou calada.
A jornalista Ana Paula Padrão estava ao lado do marido em cenas de carícias explícitas, beijando-o demoradamente, fazendo carinhos nos cabelos. Entre um chamego e outro, ela contou aos colegas jornalistas sobre uma série de reportagens que prepara para o Jornal Nacional sobre os excluídos da globalização. Nas reportagens, ela vai enfocar ações e planos de governos de vários países que deram certo.
O acesso aos camarins dos artistas era restrito. Por sorteio, ficou definida a ordem dos entrevistadores. Uma dupla de repórteres corria pelos corredores e escadas do Mineirinho até os camarins. Quem estivesse disponível dava entrevistas relâmpagos. Por isso, alguns iam até á sala de imprensa dar o ar da graça, como a cantora emergente de seios fartos Kelly Key. ''Essa é minha primeira vez no programa, espero que seja a primeira de muitas'', disse.
Ivete Sangalo disse à Folha2 que deve lançar um DVD e um CD ao vivo em comemoração aos 10 anos de carreira. Antes de entrar em cena, ela ouvia composições inéditas do também baiano Adelmo Casé, do Fama. ''Cantar aqui é uma farra boa. Essa é a sétima vez que participo do programa'', disse.
Logo após o início do Criança Esperança, um homem subiu da platéia até o palco e tentou entregar um pacote ao Renato Aragão, que apresentava o programa. Quando tentaram tirar o homem do lugar, ele entrou em luta corporal com os seguranças. Foram socos e pontapés do ''invasor'' que a telinha não mostrou. Renato Aragão ficou impassível dizendo o script, como se nada tivesse acontecido.


