Angoulême, França, 25 (AE) - Em outubro, Asterix e Obelix fizeram 40 anos. Foi em 1959 que a revista "Pilote" publicou as primeiras aventuras dos gauleses ensandecidos - na reprodução ao lado podem ser vistos todos os personagens da vila criada por Albert Uderzo e René Goscinny.
Por conta da efeméride, mas também por conta do culto aos resistentes gauleses - metáfora da própria resistência cultural dos franceses ao invasor estrangeiro -, eles sempre são homenageados em Angoulême. Este ano, a mostra é particularmente faraônica. O hall da prefeitura de Angoulême recebe a exposição "Uderzo-Goscinny: A Receita da Poção Mágica", com cenografia do arquiteto Dominique Poncet e participação do próprio Uderzo (Goscinny já morreu). Bósnia - Mas nem só de gauleses e festas homéricas é feito o festival. O cartum dos territórios enlutados da Europa, como Bósnia, Croácia, Iugoslávia e outros, terá uma exposição também à parte no festival. O seu mestre-de-cerimônias é o franco-iugoslavo Enki Bilal, o genial autor de álbuns gráficos como "Os Imortais" e "A Mulher Enigma".
Criador de um futuro híbrido, Bilal é um artista múltiplo. Em 1997, ele estreou na direção de cinema com "Thyko Moon", que trazia no elenco gente com Michel Piccoli e July Delpy. Mestre da ficção científica, ele parte sempre de aberrações sociológicas para construir seus mundos. Em "Thyko Moon", o hotel cinco-estrelas é uma espécie de campo neutro da nova ordem internacional, onde não há mais fronteiras - só corporações. O ar e a água são privatizados e os cidadãos, propriedade de um Estado opressor. (J.M.)

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