Criação e superação
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Nelson Sato <br> Reportagem Local 
Uma revista em quadrinhos e dois livros ilustrados foram lançados no último fim de semana em Londrina. As três publicações foram produzidas durante oficinas de criação realizadas ao longo do ano passado por crianças de uma escola pública e por adolescentes de um projeto social, todos moradores na Zona Norte da cidade.
A iniciativa foi desenvolvida pela Ong Flapt!/Associação dos colaboradores da Gibiteca de Londrina. A Ong está em seu 11º ano de atividade. É uma das Vilas Culturais amparadas pela Secretaria Municipal de Cultura, com sede no prédio da Associação de Moradores do Jardim Aquiles Stenghel.
Uma das oficinas contou com a participação de crianças de 3 e 4 séries da Escola Municipal Aristeu dos Santos Ribas, enquanto que a outra foi frequentada por adolescentes do Centro Educacional Marista Irmão Acácio, ambos do Conjunto João Paz.
Os dois cursos ocorreram ao longo de dez meses de 2011, com patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Ao todo, 80 alunos participaram das aulas. Carlos Guimarães, presidente da Flapt! explica que a iniciativa mudou a perspectiva de vida dos alunos e dos próprios educadores. ''Essas crianças e adolescentes são geralmente estigmatizados e desacreditados por estudarem em escolas públicas. As pessoas não colocam muita fé, mas eles nos surpreenderam ao demonstrar uma capacidade muito grande de criação e de superação'', diz.
Outro ponto positivo do projeto, segundo Guimarães, foi a motivação dos alunos para correr atrás de informações, ler e pesquisar sobre os assuntos abordados nas publicações. ''Não trabalhamos apenas a parte de técnica artísticas. Procuramos também estimular-lhes a reflexão sobre a sociedade em que vivem'', assinala.
Ele conta que os livros ilustrados produzidos pelas crianças do Colégio Aristeu desenvolveram a temática da diversidade cultural da população londrinense em seu conteúdo. As histórias, intituladas ''O Último Nômade'' e '' Goj, A Menina Kaingang'', tratam de imigrantes, negros e indígenas. Já a revista ''Conexão'', produzida pelos adolescentes do Centro Educacional Marista, reúne histórias recheadas de elementos de seu próprio cotidiano, como a capoeira, o circo e o hip hop.


