São Paulo, 21 (AE) - A primeira pergunta de todo mundo é: mas é "aquele" Creedence Clearwater? Não, é claro que não. Desde que John Fogerty saiu do grupo, nada nunca mais foi como antes. Mas os rapazes remanescentes (hoje nem tão rapazes) do Creedence - o baixista Stu Cook e o baixista Doug "Cosmo" Clifford - acharam que ainda podiam alegrar as tardes de um público saudoso daqueles velhos hits.
Então, criaram esse Creedence Clearwater Revisited, que vem pela segunda vez a São Paulo (a segunda em 40 anos de existência). Na primeira, convenceram plenamente e criaram um novo fã-clube por aqui. Além dos dois integrantes da formação original, o grupo agora tem Elliot Easton (ex-The Cars) na guitarra e Steve Gunner nos teclados. O vocalista não podia ser apenas uma cópia de Fogerty (até porque seria impossível). Então
apelaram para o roliço John Tristao, que não decepciona na rouquidão, mas também não chega a ser uma brastemp.
O Creedence Clearwater original foi criado em 1959, quando seus integrantes ainda estavam no primário, como disse há dois anos o baterista e líder da banda, Doug Clifford, hoje com 57 anos. Eternizaram canções como "Proud Mary", "Born on The Bayou", "Fortunate Son", Have You ever Seen the Rain" e puseram toda uma geração para dançar.
O vocalista e símbolo da antiga banda, John Fogerty, não gosta dessa formação de veteranos. Doug Clifford retruca dizendo que Fogerty já não sabe o que é tocar para o público. "Toca para a crítica e para si mesmo", diz. O "novo" Creedence já está há quase três anos excursionando com o repertório do CD ao vivo "Recollection", que traz 22 antigos hits. O disco poderia ser apenas uma coletânea, mas Clifford diz que a banda não se satisfazia mais em andar pelo mundo como uma banda de covers.
Segundo Clifford, o grupo acabou em 1970, após a gravação de "Cosmos Factory", e o real motivo foi que os irmãos Fogerty já não se entendiam mais (a banda teve também Tom Fogerty nos primórdios, que deixou o grupo em 1971 e morreu de aids em 1990).
O Creedence Clearwater Revival surgiu com o nome de "Blue Velvets", na Bay Area, em São Francisco. Só assinaram o primeiro contrato em 1964, com a Fantasy Records, que viria a ser a sua gravadora até o fim. Os empresários queriam que mudassem o nome para Golliwogs, vendo no nome um antídoto à invasão britânica que estava acontecendo com Beatles, Rolling Stones, Eric Clapton e Animals. O grupo não aceitou a sugestão. Serviço - Creedence Clearwater Revisited. Duração: 1h30. amanhã (22) e quinta, às 21h30. De R$ 30,00 a R$ 90,00. Credicard Hall. Avenida das Nações Unidas, 17.955, tel. 5643-2500.

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