Creedence repete show a pedido
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sábado, 27 de fevereiro de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 28 (AE) - Do lado de fora do Olympia, algum ritual sessentista está em curso. Velhos motoqueiros com lenços estampados nas cabeças passeiam em suas motos chopper e meninas de cabelos repartidos ao meio e barriga de fora ensaiam gestos janisjoplinianos. Do lado de dentro, os meninos do Creedence parecem figurantes de algum filme de caminhoneiro estrelado por Sylvester Stallone, com os cintos de fivelas gigantes e o jeito atarracado.
O show - o acontecimento da semana passada, que se repete amanhã (01)a pedido do público - começa morno, com "Born on the Bayou", antiga demais até para o fã-clube de Buddy Holly e os similares que invadiram a Lapa. Mas foi só soarem os acordes de "Wholl Stop the Rain", a quinta música no set list do CCR, que o Olympia pegou fogo: afinal, não era apenas uma banda simulando ser o antigo Creedence, mas algo da velha chama queimava de novo ao vivo, quase quatro décadas depois.
E havia um componente extra, que fez com que aquilo não fosse apenas um festim nostálgico: a presença mítica do guitarrista Elliot Easton, ex-The Cars (co-autor de "Cool Fool", com Ric Ocazek), que incendeia as velhas composições do Creedence com seu estilo orgânico de tocar as guitarras. Easton e seu solo em "Suzie Q" são algo para reavivar na memória o antigo espírito do rock.
Os vocais roufenhos de John Tristao, o escolhido para substituir o aparentemente insubstituível John Fogerty, funcionam a contento, embora não estejam mais no centro da atuação. O centro deslocou-se para a bateria de Doug Clifford e para a guitarra de Easton, o toque clássico que atualiza a música do Creedence. O baixo de Stu Cook também não é nada desprezível.
Divertidos, bem-humorados, já liberados da roda-viva estressante do show biz, os integrantes do CCR tocam prazerosamente, macaqueando algumas coreografias. Mas mantêm tudo num ritmo preciso, profissional: não atravessam nem se perdem nos solos. E não há por que temer o teclado de Steve Gunner, que é, afinal, apenas adereço quase percussivo na jornada de quase duas horas de boa música.
Excetuando-se os números country, bem bregas, algumas coisas do repertório mereciam mesmo uma segunda chance histórica. Como "Run through the Jungle", no segundo bis, que redimiu gerações de fãs do Creedence. O rhythmnblues melódico, bem tocado, sobreviveu incólume ao tempo. E clássicos como "Heard It through the Grapevine" e "Proud Mary" são uma lufada de inspiração para as três gerações que estiveram lá no Olympia e provavelmente voltarão amanhã. Quando o Creedence despedir-se do Brasil, ao som de "Up Around the Bend", vai deixar saudades. Aquilo é só rock and roll, mas é muito bom. Serviço - Creedence Clearwater Revisited. 21h30. Olympia,rua Clélia, 1517, tel 252 6255.


