ReproduçãoO Wavel: complexo formado por um castelo e uma catedral, localizado nos arredores da Cidade VelhaSe for para escolher apenas um lugar para visitar na Polônia, não há dúvida de que é Cracóvia. Capital da realeza durante 500 anos, até perder o posto para Varsóvia em 1596, Cracóvia é um imenso museu medieval às margens do Rio Vístula.
Já no século 14 a cidade era um importante centro artístico e cultural e teve sua primeira universidade fundada em 1364. No Collegium Maius, que integra a universidade, estudaram pelo menos dois poloneses ilustres: o papa João Paulo II e Nicolau Copérnico, que revolucionou a astronomia ao afirmar, em 1543, que era a Terra que se movia em torno do Sol, e não o contrário, como se acreditava até então.
A herança medieval está presente em toda parte. Tomar cerveja ou vodca num bar de Cracóvia significa descer escadarias e entrar num ambiente semelhante às masmorras que vemos em filmes, com paredes de pedra com pelo menos um metro de espessura. Na maioria das boates, frequentadas por estudantes e turistas, a música americana convive com as paredes seculares.
O que interessa em Cracóvia é a Cidade Velha, uma área de 800 metros de largura por 1.200 metros de comprimento, com uma grande praça no centro, onde fica o Mercado.
Brama Florianska: o único dos sete portões originais da cidade que resistiu à passagem dos séculos
Cada perda de rumo pelas ruelas e becos da cidade revela novos ângulos e detalhes, tornando a perdição um dos prazeres mais sublimes para quem a visita. Principalmente porque não há como se perder irremediavelmente. Os limites da Cidade Velha são claramente definidos por modernas avenidas, ou no norte da cidade, por um magnífico conjunto do século 14 formado pelo Brama Florianska, o único dos sete portões originais da cidade que resistiu à passagem dos séculos, e o Barbakan, um bastião circular de tijolos, com paredes de mais de três metros de espessura. Dizem os poloneses que essa obra de engenharia defensiva, construída no final do século 15, é a maior de sua espécie em toda a Europa. Mesmo que a afirmação se baseie em puro ufanismo, a construção é de fato belíssima.
Estilo gótico Flanar pela cidade já seria suficiente para justificar a visita. Mas o que não faltam são opções para quem quiser se aventurar pelos interiores dos prédios. Cracóvia tem um acervo de nada menos que 6 mil monumentos históricos e mais de 2 milhões de obras de arte. Se for para visitar apenas alguns museus, o Museu Histórico de Cracóvia e o Castelo de Wavel são as escolhas mais acertadas.
O Museu Histórico fica dentro da Cidade Velha e tem de tudo um pouco: pinturas, antiguidades e até uma exposição de armaduras medievais. Mas é no Wavel, complexo formado por um castelo e uma catedral localizados nas adjacências da Cidade Velha, que se encontra a maior quantidade de história polonesa por metro quadrado.
O castelo, que começou a ser construído no século 11, hoje também é um museu. Sua configuração atual, de um palácio renascentista, data do início do século 16. Os tesouros encontrados ali incluem desde uma coleção de tapeçarias e porcelanas orientais até uma exposição de armas centenárias.
Entre as atrações da Catedral de estilo gótico está um sino imenso, o Zygmut. É tão grande e pesado (só o badalo pesa 350 kg) que são necessárias oito pessoas para produzir algum som com a estrutura de 11 toneladas.
Em matéria de igrejas, Cracóvia ‘‘assim como toda a Polônia’’ - está muito bem servida. São inúmeras, nos mais variados estilos e cercadas por histórias e lendas que se acumularam ao longo dos séculos.
A mais interessante é a Igreja de Santa Maria, localizada na Praça do Mercado, no coração da Cidade Velha. Ocupando o mesmo local desde o início do século 13, a igreja foi destruída e reconstruída várias vezes, recebendo os mais variados acréscimos ao longo do tempo. O gótico, o renascentista e o art noveau são alguns dos estilos que convivem harmoniosamente nessa obra de arte que demonstra o fervor da fé católica dos poloneses.
Mina de sal Da torre mais alta da igreja, um trompete anuncia cada hora cheia com uma melodia de apenas cinco notas musicais. A última nota, surpreendentemente, é suspensa na metade. Diz a lenda que a suspensão homenageia um trompetista que teve sua garganta atingida por uma flecha durante a invasão dos Tártaros, no século 13, interrompendo o alerta de perigo exatamente naquela nota, que ainda hoje intriga os visitantes de Cracóvia.
Antes de deixar a cidade, não se esqueça de fazer uma rápida visita ao Museu Czartoryski. A maior parte das peças não tem grande interesse mas há ali duas pinturas preciosas: uma tela de Leonardo da Vinci que retrata uma senhora com um pequeno cão e outra de Rembrandt, intitulada ‘‘Paisagem com o Bom Samaritano’’, de 1638.
A partir de Cracóvia, pode-se fazer um passeio curto e interessante até Wieliczka, uma mina de sal datada do século 10. Em imensas câmaras que atingem até 327 metros de profundidade, os mineiros esculpiram em sal estátuas monumentais, castiçais e lustres. Uma das grutas consiste numa imensa catedral com altar, púlpitos e imagens totalmente talhada em sal. Os turistas japoneses saem em delírio.
Depois de passar por Varsóvia, Cracóvia restaura a confiança no poder de preservação dos homens. O passeio a Wieliczka ensina como a fé dos mineiros, ao longo dos séculos, conseguiu construir uma cidade subterrânea a partir da esterilidade do sal. Mas depois de uma viagem de apenas 60 km em direção ao oeste, já na região da Silésia, há marcas de destruição que a humanidade não vai e não deve esquecer: os campos de concentração de Auschwitz e Birkenau, hoje transformados em museus, que também podem ser visitados a partir de Cracóvia.

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