CPC-Umes lança "Mulheres em Pixinguinha"
São Paulo, 16 (AE) - O disco "Mulheres em Pixinguinha"
novo lançamento do selo CPC-Umes, é uma idéia curiosa: faz o caminho inverso do comum, ao oferecer leitura de sotaque clássico à música popular. Maria Bethânia gravou Villa-Lobos (eventualmente melhor do que todas as sopranos de formação erudita que o fizeram antes); aqui, Neti Szpilman empresta sua voz estudada a "Rosa", "Página de Dor", "Lamentos".
Neti Szpilman integra o trio "Mulheres em Pixinguinha"
na verdade um quarteto - seria indispensável a presença de Mila Schiavo, percussionista, em boa parte das faixas. Neti, entretanto, não está estreando no canto popular: durante dez anos, foi cantora titular da Rio Jazz Oschestra; também cantou em diversas óperas - de Mozart e Puccini à brasileira e contemporânea Joci de Oliveira.
As outras integrantes do grupo são Daniela Spielman (os sobrenomes são ditos de forma igual, mas escrevem-se de forma diferente), saxofonista formada em Berklee e que já se apresentou com Moreira da Silva, Nelson Sargento; faz parte do muito bom conjunto de choro Rabo de Lagartixa, e Sheila Zagury, pianista de formação erudita, professora da escola de música da UFRJ e também experiente na música popular - tocou com ¶ngela Rô Rô, Luli & Lucina e outros.
Juntas, elas emprestam tom camerístico, sóbrio, à obra originalmente rítmica, em geral irreverente de Pixinguinha. Mesmo canções apaixonadas como "Página de Dor", que tem letra de Cândido das Neves, guardam lá o balanço chorão, constroem-se sobre síncopes muito específicas da música urbana carioca. É um disco mais curioso do que bom; é bem-feito, tecnicamente impecável, mas Pixinguinha é mais do que está mostrado ali. Vide a participação de Adauto Santos em "Rosa". Gravou na véspera da morte, doente, frágil, mas dominava o assunto. É o melhor do CD.





