Em 1995 um grupo de vozes do coro da Rádio e Televisão Cubana resolveu se arriscar em arranjos vocais diferenciados. Aos poucos, o grupo surpreendeu o país com interpretações a capela capazes de simular uma verdadeira orquestra. Hoje, o Vocal Catarsis é considerado um dos mais importantes conjuntos vocais de Cuba. A surpresa é que, por uma coincidência, o primeiro convite para gravação partiu de um brasileiro, Marcus Vinícius, diretor artístico do selo CPC-Umes.
O contato resultou no álbum ‘‘Vocal Catarsis’’, que está sendo lançado pelo CPC. Composto por Gisela Sosa Muniz, Karina Martinez, Oriana Hervé, Ruth Pérez, Eduardo Bravo, Guillermo de La Paz, Angel De León e Ramón Casí, o Vocal Catarsis faz um verdadeiro passeio pela musicalidade cubana, improvisando instrumentos com a garganta.
No repertório, estão composições próprias, como ‘‘Para Robar Tu Amor’’, de domínio público, como ‘‘Tres Cantos Ararᒒ - de origem africana - e ‘‘La Culebra’’, além de famosos compositores cubanos, como Pablo Milanés, com ‘‘Los Caminos’’ e até uma versão interessante de ‘‘Eu Sei que Vou te Amar’’, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.
Pelo CD do Vocal Catarsis passam ritmos como rumba, salsa, chá-chá-chá, guaracha e bolero, além de cantos de origem africana, entre outros. Mas a característica mais interessante é a sucessão de vocalises sobrepostas pelos oito integrantes. As vozes se alternam em imitações de sopros, percussão e falsetes, num estilo que lembra Bobby McFerrin. A interpretação vigorosa do grupo é realçada com estilo próprio, que se concretiza a cada faixa.
O Vocal Catarsis se apresenta com frequência na Televisão e Rádio Nacional de Cuba, além do show ‘‘Delírio Habanero’’, que atrai os turistas ao piano-bar do Teatro Nacional de Cuba. O disco tem distribuição nacional pela Eldorado.Gal Oppido/DivulgaçãoCatarsis: vozes se alternam em imitações de sopros, percussão e falsetesRanulfo Pedreiro

mockup