Cozinha eletrônica
O site Cyber Cook oferece inúmeras receitas e deixa os internautas com água na boca
ReproduçãoNo site Cyber Cook há receitas para quem come muito ou pouco
Rosane Barros
De Londrina
Quando o apresentador Jô Soares abriu a boca para comentar, no Jô Soares Onze e Meia, a existência de um site nacional totalmente dedicado à arte de cozinhar, isso em outubro de 1997, bastou para que o Cyber Cook fosse agraciado com o prêmio IWBest o Oscar da Internet brasileira na categoria Bebidas e Alimentos. O sucesso foi estrondoso. A imprensa especializada não se privou de elogiar e quem já conhecia não se espantou com a premiação aliás, colaborou com esta conquista através de voto.
Entretanto, para aqueles que duvidavam que um único endereço (www.cybercook.com.br) pudesse reunir, e compartilhar, tantas e tão interessantes receitas, a descoberta da gastronomia eletrônica foi quase uma bênção. Ganhou o site mas ganharam também todos aqueles que buscavam uma alternativa para enriquecer a cozinha do dia-a-dia, com pratos que atendessem do mais simples ao mais refinado prazer à mesa.
A tecnologia que levou o livro de receitas da vovó para dentro da televisão deu um salto qualitativo e está se aperfeiçoando. Agora não é mais preciso correr para apanhar papel e lápis e anotar aquela receita despejada em poucos segundos da telinha para que olhos e ouvidos atentos a absorvam rapidamente.
No mundo virtual, as receitas estão lá, uma a uma, esperando para ser acessadas a qualquer hora do dia. Com o diferencial de que sua audiência interage e participa de um programa de relacionamento, com a publicação de receitas vindas de todos os cantos do País. E não falta muito para que o computador esteja entre os equipamentos básicos da cozinha. Os projetos das casas inteligentes já prevêem esta ajuda extra.
O reconhecimento de que há sabor também no ciberespaço é o que está impulsionando a equipe do Cyber Cook a investir cada vez mais no seu projeto. Se não é o mais importante, este website é hoje, de longe, o mais famoso dos serviços brasileiros disponibilizados na Grande Rede nesta categoria. Esta semana, atingiu uma marca invejável: três mil receitas, organizadas por tópicos, desde como servir até a culinária de origem.
A prova de que não é preciso ter intimidade com a máquina para usufruir do conteúdo do Cyber Cook está justamente na facilidade com que se pode navegar pelas centenas de páginas deste grande livro eletrônico de receitas. Em alguns segundos é possível descobrir, num simples toque no mouse, como preparar um inspirado Coq au Vin, da cozinha francesa, ou o Pavê Paraná da Satiko, da culinária paranaense visitado 221 vezes desde julho deste ano. Saber qual o molho ideal para cada prato servido em um jantar japonês ou o que fazer para não chorar a cada cebola descascada.
Jô Soares, que não é nenhum especialista em informática, não resistiu às facilidades da cozinha eletrônica. E nem podia. Para quem ainda não desconfia, a Internet é um caminho sem volta.
CARDÁPIO DA SEMANA
Dica do Cyber Cook para esta quinta-feira: Guacamole (receita vista 811 vezes desde julho do ano passado); Creme de Manga com Cassis (vista 740 vezes desde novembro); e Fettucine a Parisiense (vista 113 vezes desde a semana passada)
Guacamole
- 1 Abacate
- 2 dentes de alho amassados
- 2 tomates sem pele e sem semente picados
- 1/2 cebola picada
- 1 colher de sopa de coentro picado
- 1 colher de sopa de cebolinha picada
- pimenta malagueta a gosto
- 4 colher de sopa de suco de limão
- sal
Amassar o abacate, misturar os demais ingredientes. Servir com salgadinhos de pacote ou torradinhas
Molho - Maria de Los Angeles
Azeite-se
Como as latas precisamos de lubrificantes. Ou começamos a enferrujar. No entanto, já sabemos que gordura em excesso, como qualquer outra coisa, faz mal. Entope veias, acumula-se em partes do corpo de um jeito que não há ginástica nem lipo que dê sumiço na picanha tão rápida e gostosamente devorada. Mas, sem dúvida, precisamos um pouco de graxa nas juntas. No inverno, quem trabalha braçalmente as procura mais, o próprio organismo pede, a máquina precisa de mais combustível.
Das gorduras animais, considero a mais saudável a manteiga, as margarinas que me perdoem mas a graxa que mais gosto de passar no pão é a gordurenta, amarela e cheirosa manteiga. Quase todos os óleos vegetais também nos servem muito bem na cozinha: canola, arroz, soja, milho, girassol, gergelim... O de amendoim é especial para frituras, mas se você usá-lo mais de quatro vezes, estará fritando com diesel. E como Deus é generoso e tem pena destes seres gulosos, compulsivos e famintos que somos, o mais gostoso dos azeites é considerado também o mais saudável, o de oliva.
É possível fazer pastas deliciosas com ele e ervas, alho, ovos, saladas. Se você tiver um pedaço de pão, azeite e sal, está jantado. Aliás esse deve ter sido o cardápio único de muito europeu faminto, por muitas noites. Com sorte, acompanhado por um copo de vinho.
A árvore da oliva é uma das mais antigas de que se tem notícia. Quem tinha olivais era um homem rico (e ainda é), sendo seus frutos e óleo usados para alimentação, iluminação - do tipo da lâmpada de Aladim - e rituais religiosos.
Tenho procurado febrilmente um azeite que tenha realmente gosto de olivas. Desde os de primeira prensa, aos prensados a frio, gregos, italianos, espanhóis, portugueses, verdinhos, mais amarelos, todos bons e 100% de oliva. Nenhum tem o sabor dos que vinham em latões de 5 e 10 litros nos navios, trazidos por parentes, da Espanha e Itália. Fui agraciada algumas vezes com frituras feitas nesse óleo e garanto que o sabor é inesquecível e sempre procurado. Mas não sei por que, tal perfume deve ser volátil demais e se perde na viagem. É como comer acarajé sem gosto de azeite-de-dendê.
No metabolismo ou em forma de perfume, para passar na pele, óleos e gorduras são imprescindíveis. Azeite-se e bom proveito.
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