Cotidiano que nasce na memória
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segunda-feira, 26 de outubro de 1998
Elisa Marilia Carneiro 
No alto da página, o quadro Fix de Journée. À esquerda, Le Vin Dhonneur. À direita, Le TravailleQuem vive próximo aos castelos medievais do Vale do Luar, tem como inspiração as cenas do cotidiano das pessoas comuns e trabalha sempre com uma música de fundo, tem razão para receber tantos elegios sobre sua obra. Onyx de Vritz está em Curitiba, expondo, na Acervo Galeria de Arte, seus quadros cheios de emoção e imagens de sentimentos.
O pintor e escultor francês esteve pessoalmente em Curitiba para apresentar e falar sobre o seu trabalho. Retrato testemunhos do cotidiano. São flashes da vida, imagens que caminham - nunca estáticas - como se saissem da tela, define.
Onix não tem modelos, seus personagens vêm da memória num processo de criação. Sempre que vejo uma cena de bar, de mulheres nos seus afazeres ou ouço um concerto, fico com as imagens na minha cabeça e de traços - a princípio abstratos -, surgem as figuras nas telas.
Pintando desde os 12 anos, Onyx foi aprendiz do pai na cidade de Angers, na França. Seu trabalho, na maioria das vezes, parte de uma gama de cores composta de amarelo ocre e terra siena. A porta do ateliê fechada, nunca sei o que vou realizar. A razão desaparece sendo substituída pela intuição. Eu deito a tela para não forçar um sentido, conta.
As cores são espalhadas sem reflexões, diz. Trabalho em círculos para não obter muitas linhas retas, que poderiam prejudicar a minha busca permanente de movimentos. Nessa fase do trabalho, o inconsciente aparece e dirige a iniciativa.
Numa mistura de jogo de massas e de cores entre elas, as formas são sugeridas. A partir daí, são captadas as imagens furtivas, armazenadas no fundo da memória. Está tudo ligado às sensações, que são ao mesmo tempo reminicências auditivas e olfativas, reconhece.
De Vritz diz que a música o acompanha sempre que pinta. Eu deveria antes dizer todas as músicas, porque cada uma delas, com suas sonoridades diferentes, são um convite para viajar. Elas me afastam do instante presente e me transportam para um mundo de imagens interiores nas fronteiras entre o real e o imaginário.
Para ter um contato quase físico com seus personagens, Onyx de Vritz, prefere os grandes formatos, que o permitem entrar no motivo. Não exito em penetrar furtivamente nas minhas telas. Represento-me. Ele diz ainda que não costuma materializar as imagens com traços lineares. Prefiro colocar imadiatamente as tintas, desenhando diretamente com as cores. Utilizo a cor para dominar os arabescos, os volumes, a luz, as transparências, os reflexos, os espaços.


