Ele nasceu em 1934, em uma ainda pacata Buenos Aires. Uma época em que Domingos da Guia (pai do Ademir) alegrava os torcedores do Boca Juniors com sua classe para desarmar atacantes. Aproximou-se primeiramente do piano, em estilo erudito. Mas foi o clarinete de Benny Goodman que o despertou para o jazz, aquele velho estilo musical que mudou o século 20...
Estamos falando de Hector Costita, portenho no documento e brasileiro por adoração musical. O saxofonista que já tocou com Astor Piazzolla, Tom Jobim, João Gilberto, Dizzy Gillespie, Chick Korea e outros grandes mestres do jazz estará na cidade neste sábado para a celebração do 55º aniversário do Londrina Country Clube. E não vem sozinho - trará uma big band formada por vinte músicos.
Hector tem uma vida inteira dedicada à música. Após desistir dos estudos de música clássica, ingressou aos 18 anos na Big Band Lalo Schifrin. Lalo é o outro portenho que imortalizou os experimentos unindo tango & jazz (também celebrados por Piazzolla). Por essa época, Hector conheceu o criador de ''Adios, Nonino'': ''Tocávamos em alguns bares pela cidade. Piazzolla até teve um bar, o 676. O pessoal não aceitava sua música. Diziam que o que ele fazia não era tango. Ele retrucava que era a música que ele fazia e pronto''.
Em 1958, a primeira visita ao Brasil. ''Fui convidado para uma turnê de três meses e acabei ficando bem mais''. O que atraiu Costita foram algumas nuances da bossa nova - ''a harmonia, melodia, uma rítmica muito variada, a percussão que é bem rica''. Ele acabou tocando e gravando com todos os grandes - Sérgio Mendes, Tom, João Gilberto, Chico Buarque, Edu Lobo. Com Mendes gravou o que ele considera o primeiro LP instrumental de bossa nova, em 1964. ''O CD seria depois a carta de apresentação de Mendes nos EUA''.
Dessa época até hoje Costita firmou-se em um estilo consolidado, o latin jazz. ''É um pouco diferente do Stan Getz e do Charlie Byrd porque eles realçam a melodia da bossa nova e eu exploro o lado jazzístico''. Mesmo com tantas apresentações com a turma da bossa no Rio, Costita mantinha residência em São Paulo.
Em 64, mais uma viagem. Fica dez anos na Europa, morando em vários países - França, Suíça, Itália e Espanha. Em um festival de jazz francês, em 69, ele passou uma semana se apresentando ao lado de mitos... Algo como Miles Davis, Oscar Peterson e Ella Fitzgerald: ''Passamos uma semana em uma cidade repleta de bares com música ao vivo. Depois do festival, fazíamos algumas jam sessions pela noite afora. O Miles naquela época tocava com Wayne Shorter, Chick Korea, gente muito boa. No entanto o Miles não participava dessas sessões. Ele era meio fechado, um pouco artista...''. No dia que se apresentou, o Quinteto Costita subiu ao palco após Peterson e antes de Miles: ''Acabei funcionando como um sanduíche entre os dois, sem contar a Ella Fitzgerald na platéia. E o curioso é que a bandeira que ficou atrás do meu quinteto foi a do Brasil, não a da Argentina''. Para ele, essas parcerias musicais são normais: ''A gente acaba se encontrando''.
Voltando ao Brasil no meio dos anos 70, organiza a sua própria banda, a Big Band Hector Costita, lançando um LP com composições próprias em 76, o ''Big Band 150 de Hector Costita'' - uma referência à casa noturna paulistana 150 Night Club em que ele tocava. Grava também a trilha sonora do filme ''O Beijo da Mulher Aranha'', de Hector Babenco. Nessa mesma época se apresenta com outros imortais como o francês Michel Legrand e o multiinstrumentista Hermeto Paschoal. Aliás, Hector também é íntimo de mais de um instrumento - além do sax, se sai bem no clarinete, na flauta e no piano.
De 89 a 94 outra mudança para a Europa, agora na Itália. Lá Costita firmou contrato com uma gravadora americana, a Red Record, e gravou dois CDs, ambos indisponíveis no Brasil - mas Hector garante que trará a Londrina algumas cópias desses CDs (se você quiser, pode solicitar pelo e-mail: [email protected]).
Atualmente Hector tem compromisso diário de segunda a sexta - ele se apresenta no Havana Club, bar do Hotel Renaissence, em São Paulo. Ao seu lado, o contrabaixista Paulo Paulelli, a pianista Lilu Aguiar e a violonista Yvette Matos. No entanto, ele trará apenas a big band, com alguns de seus alunos do Conservatório de Música de Tatuí.
A sua apresentação no sábado irá trazer algumas surpresas para o público. A primeira meia hora será mais intimista, realizando um dueto com uma pianista londrinense. No repertório da big band, arranjos mais tranquilos, algo como Glen Miller, Ray Coniff e Duke Ellington. Mais informações ou reservas de mesas no telefone (43): 327-4741.


Big Band Hector Costita Show em celebração do 55º aniversário do Londrina Country Clube, na sede do clube. Sábado, a partir das 23 horas. Ingressos a R$ 5,00 (sócios) e R$ 25,00 (não-sócios).

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