Costa do Sauípe, o novo destino da Bahia
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domingo, 17 de setembro de 2000
Rodrigo Savazoni Agência Estado 
Localizado na bela, mas arredia praia de Sauípe, o megacomplexo Costa do Sauípe que será inaugurado em 30 de setembro, foi construído em terreno da Odebrecht, financiado pelo fundo de Previdência Privada do Banco do Brasil (Previ), e consumiu cerca de R$ 340 milhões.
São 176 hectares, por onde se espalham cinco resorts construídos por três das maiores empresas de hotelaria do mundo, seis pousadas, campo de golfe, 15 quadras de tênis, área de lazer com piscinas, lojas, bares, restaurantes, etc.
Para fazer do norte da Bahia o destino turístico mais visitado do Brasil, o Costa do Sauípe vai oferecer ao turista múltiplas possibilidades de passeio e hospedagem. Entre as opções, passeios históricos a Salvador e roteiros de ecoturismo.
Quando estiver funcionando com força total, o que deve ocorrer em meados do ano que vem, o Sauípe irá oferecer 1.596 apartamentos, 2,5 mil empregos diretos e outros 8 mil indiretos. Três vôos charter, do Canadá, Inglaterra e Argentina, já estão fechados. Será uma nova invasão de turistas estrangeiros no norte da Bahia.
Ao chegar a praia, o turista hospedado no Costa do Sauípe irá se deparar com trechos de Mata Atlântica, Mata de Cocais, areia fina, recifes e mar aberto. Um cenário sedutor. No entanto, devido ao mar aberto e à variação das marés não será possível banhar-se no oceano durante o dia todo, mas somente na parte da manhã e no início da tarde. O mesmo serve para as outras praias da região: Imbassaí e Praia do Forte.
Caminhar pela praia vale a pena. Em poucos minutos, o cenário vai se transformando e o que antes era Sauípe passa a ser Santo Antônio. A fronteira não existe, mas é facilmente perceptível. Ao invés de um grande complexo hoteleiro, pequenas barracas de sapé. No lugar dos turistas, os moradores da região.
É em Santo Antônio que provavelmente ocorrerá o primeiro contato entre hóspedes e nativos, um contato que tem tudo para ser fortuito e agradável. O visitante que conseguir deixar o conforto do Sauípe poderá passear de jangada com os pescadores, comer um típico pitu (camarão de água doce) pescado no rio que desemboca na praia e conhecer melhor os habitantes dos povoados de Diogo e Santo Antônio.
Não queremos que a população nativa seja apenas objeto de curiosidade dos turistas. Eles não têm vocação para o pitoresco, ressalta o professor Silvestre, diretor do Instituto de Hospitalidade (IH) responsável pelo projeto da Costa do Sauípe. Temos é que saber unir muito bem o tradicional e o moderno, para que todos saiam ganhando, completa.
Santo Antônio é uma praia muito pouco frequentada. De complicado acesso 30 minutos caminhando por dunas a partir do vilarejo de Diogo ou 15 minutos pela praia de Sauípe são poucos os turistas que a ela se dirigem para passar seus dias de férias. E mesmo os habitantes nativos não estão presentes o tempo todo. Só nos dias que o mar dá peixe, informa um pescador.


