Cosac Naify busca instituições para doar livros
"Não sou Nero, não estou demolindo de forma grotesca algo que demorei 20 anos para construir." Essa foi a reação do editor Charles Cosac à repercussão negativa da entrevista do diretor financeiro da editora Cosac Naify, Dione Oliveira, sobre o destino dos 400 mil livros que estão armazenados num depósito de Barueri, acumulados durante duas décadas de produção editorial e ameaçados de virar aparas no fim de dezembro.
Pagando o aluguel de R$ 55 mil mensais para guardar esse estoque numa empresa especializada, o editor revelou na semana passada, que ainda está em conversações com fundações e instituições para evitar que esses livros sejam picotados e virem aparas - prática, aliás, comum entre as editoras quando um título encalha nas livrarias. E a Cosac Naify, a despeito da excelência editorial e do cuidado gráfico, lançou, entre os 1,6 mil títulos publicados desde sua fundação, muitos livros que não venderam um décimo da edição.
"Doei livros para bibliotecas, escolas e autores nesses 20 anos e, mesmo no fechamento da editora há um ano, destinei a instituições como a Biblioteca Mário de Andrade dois exemplares de cada título que publiquei", lembrou Cosac, que, ao decidir encerrar as atividades, doou também 900 títulos seus para a editora do Sesi.
Charles Cosac revela que continuará a exercer sua profissão de editor, ajudando editoras como o Sesi e a Cobogó, duas novas parceiras, na produção de novos títulos, como o de Camilo Osório. Com a Cobogó ele finalizou o livro do fotógrafo Mauro Restiffe, que em breve chega ao mercado. Toda a produção do livro ficou a seu cargo. Ele bancou tudo.
Empresário do setor editorial que, em 1997, ao lado do cunhado Michael Naify, fundou a editora Cosac Naify, em São Paulo, muito famosa pelos títulos que publicou
Entre eles está a luxuosa edição de "Guerra e Paz", de Leon Tolstoi
O Programa Folha Cidadania é o desafio social da Folha de Londrina no combate ao analfabetismo funcional





