Por pouco, o Teatro Zaqueu de Melo, de Londrina, não sofreu uma interdição neste ano. Socorrido antes da agonia definitiva, o espaço vem passando por reforma emergencial. O estado de deterioração e abandono que o Zaqueu de Melo exibia levou algumas pessoas do público a se acidentarem, caindo das poltronas quebradas. Dos 199 assentos, 40 estavam seriamente danificados. O reparo atual pode ser encarado como um arranjo para encarar a temporada cultural 2001. Além da troca dos estofados dos assentos e envernizamento dos encostos, estão previstas a troca de carpete, a pintura do forro e paredes. Em três semanas, todo o trabalho deverá estar concluído.
O Secretário de Cultura, Bernardo Pellegrini, indignado com o descaso com o patrimônio público, conseguiu com empresários da cidade doação em serviços e material para empreender a reforma. ‘‘Não dava para esperar até julho para a Prefeitura começar a licitar parafusos. No estado em que o Teatro Zaqueu de Melo estava, cada vez menos grupos procuravam o espaço’’, constata Pellegrini.
Na época da inauguração, o espaço era dotado de 30 spots de iluminação. Atualmente, o Teatro Zaqueu de Melo possui 5 spots de luz de 1.000 watts, que servem apenas para iluminar a decadência. As lâmpadas usadas deixaram de ser fabricadas e há no estoque apenas mais seis unidades. Os grupos que não trazem equipamentos próprios de luz, não têm como se apresentar. Segundo Jeso Soares da Silva, responsável técnico do Teatro, o ideal seria a aquisição de pelo menos 20 spots de 1.000 watts. No projeto de revitalização, a parte de iluminação irá consumir R$ 26 mil. Sobre o problema de ruídos externos, Jeso afirma que há algum tempo foi realizada uma consultoria com um engenheiro especializado que sugeriu um revestimento acústico interno, deixando intactas as janelas.
O calor excessivo durante as apresentações sempre foi um problema enfrentado no local. Na gestão da ex-secretária Ângela Marçal, no final de 1997, foram adquiridos 12 aparelhos de ar-condicionado da marca Consul (Air Master), de 21 mil BTUs/horas, inadequados para uso no Zaqueu de Melo, em função do barulho excessivo que emitem. O responsável técnico pelo Teatro não foi consultado para saber da viabilidade da aquisição. Os aparelhos estão encostados na Secretaria de Cultura. Bernardo Pellegrini agora verifica com um engenheiro do IPPUL uma forma de trocar esses aparelhos por um sistema de ar refrigerado central. Pellegrini ventila a possibilidade de incluir esse caso na auditoria interna da Prefeitura.
A Secretaria está pleiteando junto ao Ministério da Cultura uma reforma mais completa englobando sistema de luz, instalação de uma saída de emergência, vedação de ruídos externos, modernização do equipamento de som. O projeto de recuperação, no valor de R$ 50 mil, será enviado à Secretaria de Patrimônio, Museus e Artes Plásticas, argumentando a necessidade de garantir a estrutura do edifício, além do tratamento específico para um prédio considerado patrimônio histórico.
Edvaldo de Melo, diretor da TV Coroados, em Londrina - da família de Zaqueu de Melo - faz parte do grupo de empresários que estão contrubuindo com a reforma. Outras empresas como Restaurante Dá Licença, Curso e Colégio Delta, Panificadora e Confeitaria Central vão se cotizar para pagar a compra e instalação do carpete. A Secretaria está empreendendo uma campanha nominada ‘‘Patronos do Zaqueu’’, cujo objetivo é o de conseguir material para melhoria do teatro. Quem quiser colaborar deve entrar em contato com o setor de Difusão Cultural pelo fone (43) 321-6600, ramal 216 ou 218.
O secretário Bernardo Pellegrini pretende potencializar o espaço instituindo um link com a Biblioteca Pública Municipal, traçando um outro perfil para o Zaqueu de Melo. Para isso, ele pretende transformar o local num centro de referência da Rede de Cidadania.

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